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Apesar
de anúncio da ONU, buscas continuam e acham sobrevivente |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo,
24 de janeiro de 2010
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PORTO PRÍNCIPE O governo haitiano
desmentiu a notícia de que teria pedido à ONU para pôr
fim às operações. Mas o Escritório das Nações
Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários
(Ocha) confirmou o pedido do governo, acrescentando que as operações
foram suspensas às 17 horas de sexta-feira e que apenas três
equipes ficarão de prontidão para o caso de "milagres"
como os três sobreviventes encontrados anteontem. "Essa informação
é falsa", disse ontem ao Estado Volcy Assad, porta-voz
do presidente René Préval, sobre o pedido de suspensão
dos resgates. "O presidente nunca disse isso." Já o porta-voz
da Ocha no Haiti, Nicholas Reader, reiterou que o governo haitiano anunciou,
sim, o fim das operações de resgate. E explicou que as operações
entraram ontem em nova fase, saindo do resgate de sobreviventes para a
retirada de corpos e remoção dos escombros para a reconstrução
do país. "Duas equipes
do Reino Unido e uma da Grécia, que chegou ontem (sexta-feira),
continuarão no país, com cães e equipamentos, para
responder a sinais de vida, retirar corpos e erguer escombros", informou
Reader ao Estado. "À medida que o tempo passa, as chances
ficam menores, mas ainda há milagres, como os de ontem (sexta-feira)."
Uma mulher de 84 anos
foi arrancada dos escombros pelos parentes com as mãos; outra,
de 69, salva por bombeiros americanos; e uma equipe de resgate israelense
retirou um homem de 22 anos das ruínas de um prédio de três
andares. A informação
de que o governo havia feito o pedido foi dada na sexta-feira em Genebra
por Elisabeth Byr, porta-voz da Ocha em Genebra. Mas no mesmo dia à
tarde tinha sido negada pela ministra da Comunicação do
Haiti, Marie Laurence Joselin Lasègue: "Ainda não vamos
suspender os resgates porque estão sendo encontrados sobreviventes",
disse ela ao Estado. É possível
que o governo haitiano tenha feito o pedido e voltado atrás depois
dos novos resgates. O presidente René Préval tem manifestado
sua preocupação com o risco de doenças causadas por
tantos corpos enterrados. Préval disse na sexta-feira que era preciso
levar os desabrigados para novos acampamentos que estão sendo construídos
fora de Porto Príncipe antes que comece a chover, o que aumentará
o risco de doenças. Os bombeiros brasileiros
suspenderam as buscas no Hotel Christopher, e mantinham-se ontem de prontidão
na base do batalhão brasileiro da ONU em Porto Príncipe.
Seu trabalho, como o de outros grupos, não está sob a coordenação
da Ocha. Várias equipes já deixaram o Haiti. Até ontem,
haviam sido resgatadas pelo menos 132 pessoas com vida dos escombros.
Mais de 100 mil corpos foram retirados. O governo haitiano estima que,
até o fim da semana, será confirmada a morte de 150 mil
pessoas. O general americano Ken Keen, que comanda as forças especiais
americanas no Haiti, acredita que a cifra pode chegar a 200 mil. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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