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Haitianos
fazem fila para retirar suas economias |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo,
24 de janeiro de 2010
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PORTO PRÍNCIPE Às 9 horas,
havia 187 pessoas do lado de fora da agência do Sogebank, no bairro
de classe média de Delmas. Os clientes entravam de dez em dez.
"Eu não tinha dinheiro nenhum quando veio o terremoto e destruiu
minha casa", contou Valentain Fanor, de 51 anos, que trabalha como
soldador. "Os vizinhos são como nossa família e nos
deram comida", disse Fanor, que tem cinco filhos. Um deles, atingido
pelos escombros, sente dores internas no tórax. A família está
dormindo numa tenda improvisada. "Minha casa era pequena, mas era
minha", disse o soldador, com uma mescla de orgulho e tristeza. "Não
tenho trabalho nem esperança. Fico vagando pelas ruas." Fanor
tem 500 gourdes (US$ 12,50) na conta, mas tinha ouvido falar que o banco
só lhe entregaria 200 (US$ 5). "É o que terei para
comprar um pouco de comida para minha família." O aperto do dinheiro
coincide com o desabastecimento - por causa da destruição
do porto - e o aumento dos preços. O quilo do arroz, base da alimentação
dos haitianos, praticamente dobrou, de 23 gourdes (US$ 0,57) para 45 gourdes
(US$ 1,12). Percursos de tap tap, um lotação montado sobre
a carroceria de camionetes, que antes custavam 10 gourdes (US$ 0,25) passaram
para 25 gourdes (US$ 0,62). Os olhos verdes de
Ruth Français Baeusiquo ficam marejados quando lhe perguntam sobre
sua situação. "A casa da minha mãe caiu, e não
tenho notícias dela", conta Ruth, que trabalhava como camelô.
"Minha casa também caiu. Tinha comida lá dentro, mas
não consegui tirar de lá. Ficamos sem nada para comer e
dormimos na rua", disse Ruth, viúva aos 36 anos, com uma filha
de 8 e um filho de 4. "Nossos vizinhos vivem como família
e me ajudaram", explicou ela, repetindo uma frase comum entre os
haitianos. Ruth contou que vendia
cosméticos, que ela comprava na vizinha República Dominicana.
"Se eu tivesse dinheiro, iria embora para lá com meus filhos."
Ela tem mil gourdes (US$ 25) no banco. "Aqui no Haiti não
há esperança. Não sei como será o dia de amanhã.
Não acredito que os tremores acabaram." As filas nos bancos
e nas agências de transferência de dinheiro, reabertas no
meio da semana, só se equiparam com a da embaixada americana, onde
quem tem algum parente nos Estados Unidos luta para conseguir um visto
e ser evacuado nos aviões de carga Galaxy que partem lotados de
haitianos diariamente. Venel Celin, de 33
anos, que mora em Delray Beach, na Flórida, conseguiu despachar
seus dois filhos e a ex-mulher. Graças a seu filho mais novo, de
um ano, que nasceu nos Estados Unidos e é cidadão americano,
o irmão de oito e a mãe foram evacuados. Ontem Celin esperava
na fila para tentar sacar US$ 140 enviados por sua atual mulher, para
ir por terra para a República Dominicana, e de lá comprar
uma passagem de avião com cartão de crédito. "Cheguei dia 29 para passar férias, e fiquei tempo demais", disse Celin, com um sorriso triste. Ele perdeu tia, primos e sobrinhos no terremoto. A casa de sua família foi destruída, e ele também dorme no chão, e foi alimentado com dinheiro do irmão e de uma amiga.
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