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Estado de sítio vale
só para zelaystas |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quarta-feira, 30 de
setembro de 2009
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TEGUCIGALPA À pergunta
sobre por que manifestações a favor do governo de facto
são permitidas, Cerrato explicou: "Porque as manifestações
a favor do ex-presidente Manuel Zelaya são de maior violência,
com fatos que desestabilizam a ordem interna. Já os que estão
de acordo com o que aconteceu, com a paz e com a democracia, não
são violentos", completou o delegado. "O que aconteceu"
foi a destituição e expulsão de Zelaya, há
três meses. Ele disse que os zelayistas queimam edifícios
e veículos. O decreto prevê que seja solicitada autorização
para as manifestações com 24 horas de antecedência.
As dos zelayistas não são autorizadas. De acordo com o delegado,
o cerco à embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde Zelaya está
abrigado desde o dia 21, mobiliza 300 soldados do Exército e 100
policiais. Cerrato admitiu que, se a embaixada fosse considerada um "escritório
comum", como cogita o governo de facto, caso o Brasil não
atenda o ultimato para definir em dez dias (a partir de sábado)
o status de Zelaya, a polícia poderia pedir à Justiça
autorização para entrar no prédio e prender Zelaya.
"Mas, enquanto for a representação diplomática
de um país amigo como o Brasil, está protegida pelo princípio
da territorialidade, é um pedacinho de vocês", ressalvou
Cerrato. Ele negou que a polícia
tenha usado gases no sábado, quando ocupantes da embaixada afirmaram
ter sentido mal-estar por causa de um suposto ataque químico contra
o prédio. Cerrato disse também que em nenhum momento foi
cortada a luz, água e telefone fixo da embaixada. Segundo ele,
há racionamento de água em Tegucigalpa, e a aglomeração
de 80 pessoas no prédio, depois que Zelaya o ocupou, há
uma semana, exauriu a caixa d'água do prédio. O delegado confirmou que, "em princípio, ninguém pode entrar na embaixada", a não ser para entregar comida, prestar serviços de saúde ou religiosos. O acesso à embaixada é autorizado pelo presidente de facto, Roberto Micheletti. Sérgio Guimarães,
representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância
(Unicef) em Tegucigalpa, entrou ontem na embaixada, levando comida para
os mais de 60 ocupantes da casa e roupas para Xiomara, a mulher de Zelaya.
A comida para o casal Zelaya é feita na casa de uma de suas filhas,
também de nome Xiomara. Os outros ocupantes da embaixada recebem
ração menos sofisticada: tortilla, feijão e quesadillo
(queijo branco), comprados em restaurantes de comida rápida. Guimarães
não sabe quem paga pela comida: ele apenas a recebe e leva à
embaixada, quase todos os dias. Outra filha de Zelaya, Zoe, refugiou-se na embaixada de Taiwan em Tegucigalpa com o marido quando estava grávida de sete meses, dia 29 de junho, um dia depois da destituição do pai. No dia 10 de julho, ela deixou a embaixada, disse à France Presse uma fonte não identificada. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |