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Filha de Zelaya acompanhou
golpe embaixo da cama |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo, 4 de
outubro de 2009
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TEGUCIGALPA Eram 5h20 quando Xiomara
começou a disparar telefonemas, denunciando o golpe. A Constituição
hondurenha impede a execução de mandados de busca e apreensão
entre 18 horas e 6 horas. A lei prevê que sejam executados pela
polícia, mas sua casa foi invadida por cerca de 200 soldados, que
Nas semanas que precederam
o golpe, Zelaya estava dormindo em quatro casas diferentes, para despistar
os militares. Mas, nos últimos dias, o comandante das Forças
Armadas, general Romeo Vásquez, telefonou várias vezes para
a primeira-dama, Xiomara (mãe e filha têm o mesmo nome),
assegurando-lhe que nada aconteceria. Ela trancou a porta
do quarto e telefonou para Gilberto Ríos, dirigente do Bloco Popular,
que apoiou a mobilização pela consulta. Estudante de comunicação
e publicidade, Xiomara ligou também para a Rádio América,
uma das mais ouvidas, mas lhe disseram que estava enganada, que não
Sua ajudante de ordens
(cada membro da família tem um), tenente do Exército, trancou
as portas e portões da casa, que se mantinham abertos para que
os guardas de honra transitassem. Os soldados tentaram entrar pela frente
e não conseguiram. Foram para os fundos e arrombaram a tiros o
portão. Zelaya foi levado de pijama. Os soldados vasculharam a casa toda. Xiomara escondeu-se debaixo da cama. Eles entraram no seu quarto, viram sua ajudante de ordens e se foram. Fiquei 40 minutos debaixo da cama, até que minha ajudante veio e me disse que todos tinham ido, conta. Então, ela
tentou telefonar para Carlos Sosa Coello, o embaixador de Honduras na
OEA, em Washington, mas as chamadas para fora do país estavam bloqueadas.
Xiomara filmou com o celular as portas arrombadas e enviou como mensagem
ao embaixador. A TV estatal chegou
a transmitir uma legenda no rodapé da tela noticiando o golpe,
mas quando a apresentadora ia fazer o anúncio, os militares interromperam
a programação e assumiram o comando da emissora, relata
Xiomara. Ela tentou falar com
a mãe, mas seu celular não atendeu. Telefonou para Zoe,
sua irmã de 33 anos, que estava grávida do segundo filho.
Zoe conseguiu falar com a mãe às 5h50 e avisou também
os outros dois irmãos, Héctor e José Manuel. Zelaya
reapareceu por volta das 15 horas, em San José da Costa Rica, depois
de ser despejado de um avião da Força Aérea na pista
de pouso. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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