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Impasse aprofunda polarização política entre ricos e pobres |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Segunda-feira, 5 de
outubro de 2009
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TEGUCIGALPA (O presidente
de facto, Roberto) Micheletti é o culpado, julga Juan Francisco
Cortez, de 36 anos, dono de uma funilaria no bairro pobre da Peña.
Estando Zelaya outra vez, tudo se normaliza, as pessoas voltarão
a ter confiança. Antes da crise deflagrada com a destituição
de Zelaya, em 28 de Zelaya aumentou
o salário mínimo de 1.500 lempiras (US$ 79) para 5.500,
elogia Clemente Ordoñez, de 72 anos, enquanto caminha pelas ladeiras
da Peña para a escola pública onde trabalha como vigia das
18 horas às 6 horas. Os empresários reagiram derrubando-o.
Não pode ser assim. O aumento do salário mínimo
provocou demissões e contratações sem carteira assinada
em massa. Os mais pobres também
elogiam Zelaya pela redução no custo do transporte, graças
a subsídios a taxistas e às empresas de ônibus, para
compensar aumentos nos preços dos combustíveis. Para os
taxistas, Zelaya instituiu um bônus anual de 8 mil lempiras (US$
421). Micheletti tem angariado apoio dos motoristas de táxi aumentando
o benefício para 12 mil lempiras (US$ 631). Além disso,
taxistas que compareceram a uma reunião de apoio ao presidente
de facto na Casa Presidencial, na noite de sexta-feira, receberam 500
lempiras (US$ 26), conforme o Estado pôde comprovar, num
telefonema ao funcionário encarregado de distribuir o pagamento. Zelaya cometeu um erro, por querer o continuísmo empurrado por Chávez ou pelo menos é o que dizem, não sei se é verdade, diz Julio Reconco, um taxista de 74 anos. Mas é o único que se identificou com o povo pobre, com os sindicatos e os agricultores. Aqui, os governos sempre se aliaram aos empresários e aos militares. Reconco, que se reveza
entre um ponto no aeroporto e outro num hotel cinco estrelas, diz que
costumava ganhar 1.000 lempiras (US$ 52) por dia. Agora, passo dias
inteiros sem nenhum No bairro de classe
média alta de El Hatillo, a crise econômica também
se faz sentir, mas a percepção é diferente. Jaime
Martín, de 29 anos, dono de dois restaurantes, diz que o movimento
caiu 50%. As pessoas estão tentando poupar, por causa das
incertezas, explica ele. Para mim, o que aconteceu foi o melhor
que poderia ter acontecido, porque esse senhor (Zelaya) ia implementar
aqui o socialismo de Chávez, em que não há investimento,
e o pobre se torna rico da noite para o dia, continuou Martín,
sentado num café elegante. Temos de aguentar alguns meses.
Para ele, o que agravou a crise foi a volta de Zelaya, há duas
semanas. O advogado José López, de 35 anos, que assessora investidores estrangeiros, afirma que os negócios estão parados. Ele diz que seus clientes não gostam de Zelaya, e não culpam Micheletti pela situação. A solução são as eleições. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |