|
Acesso à embaixada
é pesadelo para jornalistas |
|
| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sábado, 10 de
outubro de 2009
|
|
TEGUCIGALPA Na terça-feira,
depois de uma semana de negociações com autoridades civis
e militares do governo de facto, o repórter do Estado obteve autorização
para entrar, juntamente com o fotógrafo, na Embaixada do Brasil
em Tegucigalpa, cercada por policiais e soldados do Exército. Ontem foi o dia de
cruzar de novo o portão verde, cuja portinhola os ocupantes da
casa abrem ansiosamente todos os dias, para ver a comida, a roupa, os
remédios e os visitantes chegarem, exatamente como numa prisão.
Só se sai da casa na companhia do promotor de Justiça Alejandro Hidalgo, que inspeciona os procedimentos da polícia afinal, muitos dos que estão lá dentro são acusados de crimes contra a ordem pública. Um fotógrafo
do Ministério Público registra o trabalho da polícia.
Um dos policiais retira o laptop do repórter e pergunta ao promotor
se pode abri-lo. Só se o senhor tivesse uma ordem da Justiça,
responde Hidalgo, enquanto o policial guarda de volta o computador, desconsolado.
Os jornalistas e o
promotor continuam caminhando, até cruzar o último bloqueio
da polícia e encontrar-se com os repórteres que dão
plantão no acesso principal à embaixada. Entram numa van
contratada pela Telesur, e seguem para o hotel onde quase todos os jornalistas
se hospedam. Todo o resto fica
para trás: as filas para o banheiro, a comida fria e remexida pelos
policias e cães farejadores, os sobressaltos pelo cerco ostensivo
de atiradores do Exército e da polícia, o convívio
com a resistência e, claro, a hipercobertura de Manuel
Zelaya, pela simples razão de se estar dividindo com ele o mesmo
exíguo espaço. Mais tarde, toca o
telefone no hotel. É o promotor, que aguarda no lobby com um policial
e um militar, para mostrar o filme da chegada do repórter. Nele,
o rádio aparece sendo confiscado. O iPod, não. Vou
investigar o que aconteceu com o rádio, promete Hidalgo.
Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |