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Partilha da Índia
produziu 'Estado jihadista' |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Segunda-feira, 31 de
agosto de 2009
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NOVA DÉLHI Publicado recentemente
na Índia, o livro IndiaPartitionIndependence,
do deputado e diplomata Jaswant Singh, procura mostrar que o conceito
de muçulmanos como nação separada foi
uma construção artificial do líder muçulmano
Mohammed Ali Jinnah, para satisfazer seu anseio pessoal de poder; que
os muçulmanos eram tão indianos quanto os hindus; e que
a forma como o Paquistão nasceu determina a sua natureza de patrocinador
do terrorismo na região. O Paquistão,
fundado na noção de separação, uma nação
distinta da Índia, não podia senão afirmar incessantemente
sua identidade islâmica, argumenta Singh. Em consequência,
adotou a identidade de República Islâmica. Para o diplomata,
essa identidade impediu o Paquistão de tornar-se um Estado moderno
e funcional. De Estado islâmico, o Paquistão
talvez se tornou um Estado jihadista, e daí o epicentro
do terrorismo global. O autor descreve como
a rivalidade pessoal entre Jinnah e o líder hindu Jawaharlal Nehru,
do Partido do Congresso, também influiu na partilha da Índia.
Esses mesmos políticos lançaram a luta pela independência
em relação à Grã-Bretanha, sob a liderança
de Gandhi, com a premissa da unidade do país. Mas, com o tempo,
Jinnah acoplou a ideia de separação à de independência.
Nehru acabou aderindo à partilha, para consolidar seu poder na
nova Índia reduzida, mas sem a incômoda presença
de Jinnah, seu oponente, que então teria seu próprio país
para liderar. Singh registra que
Gandhi se manteve contrário à partilha até o fim,
considerando-a o grande fracasso de sua vida. Entretanto,
na biografia do Mahatma escrita por seu neto Rajmohan Gandhi, uma passagem
mostra que até o líder indiano resignou-se à ideia:
Não vim aqui para lutar contra o Paquistão,
disse Gandhi em novembro de 1946, nove meses antes da partilha, a uma
plateia de hindus e muçulmanos em Dattapara, hoje Bangladesh
um segundo país muçulmano resultante da viviseção,
por sua vez separado do Paquistão. Se o destino da Índia
for a partilha, não posso impedi-la. Mas quero lhes dizer que o
Paquistão não pode ser estabelecido à força. O livro de Rajmohan,
Mohandas, a True Story of a Man, his People and an Empire descarta
também a convivência pacífica entre hindus e muçulmanos,
sugerida por Singh. A visita a Dattapara foi parte de um périplo
de Gandhi, de trem, por uma série de vilarejos, onde haviam ocorrido
massacres de um ou do outro grupo. O apoio velado de líderes do
Partido do Congresso ao massacre de 7 mil muçulmanos no Estado
de Bihar, leste do país, enfureceu Gandhi, que escreveu aos líderes
do partido que ajudou a fundar: O que vocês fizeram foi se
degradar e puxar a Índia para baixo. Talvez nem Gandhi pudesse medir o impacto que os confrontos entre muçulmanos e hindus e a divisão da Índia deles resultante acabariam tendo não só sobre o Subcontinente Asiático, mas sobre todo o mundo. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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