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Ahmadinejad
a críticos: 'Morram de raiva' |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira, 14 de
abril de 2006
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TEERÃ A atitude decidida
de Ahmadinejad contrastou com mais uma missão inconclusa de El-Baradei.
"Ainda não está clara a natureza do programa nuclear
iraniano", declarou o diretor-geral da AIEA. Em entrevista ao lado
de Ali Larijani, secretário do Conselho de Segurança Nacional
e negociador-chefe do Irã, El-Baradei exortou o país a suspender
o enriquecimento. Ele argumentou que
o reator nuclear de Bushehr, ao sul de Teerã, tem combustível
garantido (pelos russos). "Não creio que a questão
do enriquecimento, embora emocional, envolva urgência", disse
o diretor da AIEA. "Portanto, enfatizamos (a necessidade de) negociar
um acordo, pelo qual Teerã atenda às preocupações
da comunidade internacional." Em decisão tomada em 29 de março, o Conselho de Segurança da ONU deu ao Irã um mês para suspender a retomada de suas atividades nucleares. No dia 28, quando expira o prazo, o Conselho poderá adotar alguma medida de advertência mais severa ao país. Em princípio, parece improvável que Rússia e China, parceiros comerciais do Irã com poder de veto no Conselho, deixe passar a imposição de sanções. Entretanto, ambos
os países têm dado sinais de impaciência com a atitude
iraniana de incentivar a escalada da crise. O governo chinês anunciou
ontem o envio de Cui Tiankai, vice-ministro do Exterior, para o Irã
e a Rússia. Mas El-Baradei tem
razão: a questão é altamente emocional. O governo
de Teerã tem martelado diuturnamente que o desenvolvimento do programa
nuclear para fins pacíficos é um "direito inviolável"
do país, e muitos iranianos acatam essa posição (ver
abaixo). Tecnicamente, o Irã tem de fato o direito a esse programa,
como signatário do Tratado de Não-Proliferação
Nuclear, que o submete a um regime de inspeções. Depois da descoberta,
em 2003, de um programa nuclear secreto conduzido pelo Irã havia
18 anos, o país adotou uma moratória das atividades e passou
a permitir inspeções sem comunicação prévia,
como se fosse signatário de um Protocolo Adicional, para readquirir
confiança da AIEA. Essas concessões viriam acompanhadas
de assistência da comunidade internacional para o desenvolvimento
da tecnologia para fins civis, desde que o Irã atendesse a todas
as exigências de informações da agência. As duas coisas não
ocorreram, no entanto. E o Irã retomou suas atividades de "pesquisa
e desenvolvimento" no dia 9 de janeiro, retirando os selos da AIEA
em suas centrífugas. Em relatório apresentado no fim de
fevereiro ao Conselho de Governadores da AIEA, El-Baradei deu a entender
que o Irã não tinha oferecido explicações
convincentes sobre a compra de materiais e equipamentos de uso duplo (civil
e militar) nem tinha fornecido evidências que afastassem definitivamente
a possibilidade de haver uma linha paralela de centrífugas da geração
P2, mais eficientes das que ele dispõe declaradamente, as P1. El-Baradei
também não se mostrou totalmente convencido de que o chamado
Projeto Green Salt, um conjunto de planos encontrado num laptop, constitua
"alegação sem base", como afirmam os iranianos. Concretamente, o que o presidente anunciou na terça-feira foi o enriquecimento de urânio a 3,5% - suficiente para o uso como combustível e muito distante do patamar de 90% exigido para a fabricação de ogivas - por 164 centrífugas, que colocam o programa num estágio experimental. Entretanto, o vice-diretor
da Agência Atômica Iraniana, Mohamad Saidi, acrescentou na
quarta-feira que até o fim do ano as instalações
de Natanz já deverão operar com 3 mil centrífugas,
número esse que será ampliado para 54 mil, num prazo não
determinado. Nesse ponto, o programa nuclear iraniano atingiria escala
industrial. E poderia levar à fabricação de bombas,
no intervalo de mais alguns anos. Ahmadinejad garante que não é
essa sua intenção. O presidente dos EUA, George W. Bush,
já deixou claro que não pretende pagar para ver. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |