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Ingresso
no 'clube nuclear' é motivo de orgulho |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira, 14 de
abril de 2006
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TEERÃ "Queremos ser
um país independente, nos desenvolver, ser um país poderoso",
diz uma professora do segundo grau de literatura iraniana, que pede para
não ser identificada. "É um programa pacífico,
não é uma bomba. Não somos conquistadores e não
gostamos dos países que são." "Alguns têm
de se sacrificar", acrescentou, diante da toalha branca estendida
na grama, e sobre ela chá, pistaches, biscoitos e doces. "Estou
contente que agora já possamos ter urânio enriquecido."
À pergunta sobre se a opção do governo não
trará problemas para o país, o empresário respondeu:
"Se nos sentarmos e cruzarmos os braços com medo dos Estados
Unidos, não teremos nenhum progresso." Do outro lado da pirâmide
social, o gari Mohamad Mortazavi, de 56 anos, varria o parque, no início
da noite de ontem, e também se mostrava exultante. "É
um êxito para nós, creio que vai melhorar a nossa situação",
disse ele. "Não vai servir para mim, mas para meus filhos
e netos. Espero que não ataquem nosso país." Mortazavi
acha que a vida vai melhorar por causa do domínio da tecnologia
de energia nuclear ou da segurança maior para o país frente
aos seus inimigos? "Pelas duas coisas", responde ele. Um engenheiro civil
aposentado de 88 anos, que se identifica apenas como Asghar, acredita
que a reação negativa das potências trai um desejo
de não ver o Irã desenvolver-se. "Eles compram nossos
produtos muito baratos e os vendem caros", disse Asghar, aparentemente
alheio ao preço alto do barril de petróleo, do qual o Irã
é o quarto maior produtor e exportador do mundo. "Querem que
continuemos sendo um país pobre, do Terceiro Mundo." Noutro banco do parque,
três jovens que estão prestando o serviço militar
obrigatório de dois anos comentam que, se não fosse a guerra
Irã-Iraque (1980-88), o país estaria melhor. A tecnologia
nuclear ajudaria a proteger o país? "Sem essa tecnologia,
o Irã já é um país poderoso, pode se defender",
diz um soldado de 22 anos, que pede para não ser identificado.
"Ahmadinejad foi apenas um instrumento ao fazer o anúncio.
Qualquer presidente seguiria a mesma política." Sobre se não
seria melhor priorizar outros investimentos, em educação,
em saúde ou na industrialização do país, o
soldado não hesita: "A educação e a saúde
já são boas no país. Quanto à indústria,
estamos tendo de usar o petróleo como combustível para ela",
acrescenta, referindo-se à escassez de energia elétrica
no país. "Como teremos indústria sem energia?" Nem todos apóiam
a estratégia do governo, no entanto. "Sou contra tudo o que
é nuclear, no mundo inteiro, não só no Irã",
disse o eletricista Hossein Hatam, de 49 anos. "É uma energia
perigosa, e não é necessária. Há outras opções."
O professor universitário de contabilidade e administração
Hossein Alimi, de 54 anos, foi um pouco mais cáustico. Indagado
sobre o que achava do anúncio do presidente, sintetizou: "Uma
piada." Esse tipo de opinião
não se ouvia ontem nos oito canais de televisão, todos estatais,
assim como as emissoras de rádio. "Estou muito orgulhosa.
Em qualquer país que eu vá, posso dizer que sou iraniana",
declarou uma mulher ao Canal 1. "Acreditamos em nós. Podemos
fazer o que quisermos. Fazer é poder", enfatizou um homem.
"O Irã já não é mais um país do
Terceiro Mundo", constatou outra mulher. "É raro
ouvir uma notícia tão boa como essa", disse uma mulher
à rádio Sarossari. A emissora encerrou uma rodada de entrevistas
elogiosas à conquista iraniana com a canção "Irã",
que exalta o heroísmo do povo na Revolução Islâmica
(1979) e na Guerra Irã-Iraque. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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