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Irã
exalta o Hamas e ataca Israel |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sábado, 15
de abril de 2006
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TEERÃ "O regime sionista
é uma árvore apodrecida e ressecada, que será eliminada
por uma tempestade", insistiu Ahmadinejad. Falando a uma platéia
de cerca de mil pessoas, incluindo representantes de 19 países,
Ahmadinejad, que já causara polêmica em outubro ao dizer
que Israel deveria ser "varrido do mapa", disse acreditar que
"a Palestina", o que inclui o Estado israelense e os territórios
por ele ocupado da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, "será
liberada em breve". "A existência
desse regime é uma ameaça permanente à região,
e fere a dignidade das nações islâmicas", argumentou
o presidente, referindo-se ao "regime sionista". Ahmadinejad,
que põe em dúvida a ocorrência do Holocausto, declarou
também: "Se esse desastre de fato ocorreu, por que o povo
dessa região deveria pagar por ele? Por que a nação
palestina tem de ser suprimida, e sua terra, ocupada?" O presidente defendeu
a eleição de um único governo em toda a "Palestina",
com a participação de toda a população: judeus,
cristãos e muçulmanos, incluindo os refugiados palestinos,
obrigados a deixar suas casas pela ocupação israelense.
Ahmadinejad vinculou
o tema à reação da comunidade internacional à
recente proeza iraniana do enriquecimento do urânio, declaradamente
para fins pacíficos. "Os governos que preconizam a imposição
pela força tentam impedir o nosso desenvolvimento tecnológico,
porque interpretam cada aquisição como uma ameaça
à sua dominação", analisou o presidente. "O
avanço de nossa tecnologia nuclear, que se deve à criatividade
de nossos cientistas, é objeto de reprovação porque
é capaz de fornecer a energia necessária para o nosso desenvolvimento." Com a conferência
de ontem, o regime iraniano colocou o apoio ao Hamas, como partido governante
da Autoridade Palestina, no centro de sua política externa. "Temos
o direito e a capacidade de responder à humiliação
das potências hegemônicas", disse, em seu discurso de
abertura da conferência, o líder supremo do Irã, aiatolá
Seyed Ali Khamenei. "Não é exagero dizer que a Palestina
é o símbolo e a bandeira dessa luta. Ela é a chave
para o alívio da Ummah (população) islâmica." Num discurso intelectualmente
sofisticado, repleto de alusões históricas mescladas com
trechos do Alcorão, Khamenei disse que o fervor religioso, representado
pelo Hamas, na Palestina, e pelo Hezbollah, no Líbano (ambos patrocinados
pelo Irã), estão tendo êxito naquilo em que outras
ideologias sucumbiram. "Os produtos
teóricos e práticos do nacionalismo, do marxismo e de outros
que tais não passam nos testes", disse ele, numa referência
implícita ao pan-arabismo dos anos 50 a 70 e às correntes
laicas que formaram a Organização de Libertação
da Palestina (OLP). "A fé religiosa, fortemente abraçada
pelo povo, gradualmente cria brechas de luz no horizonte estreito e cinzento,
com a coragem de combatentes pacientes e firmes." Assim, na visão do líder espiritual iraniano, aquilo que o Ocidente encara como o terrorismo islâmico, os atentados suicidas do Hamas e do Hezbollah, são a redenção não só para os palestinos, como para os muçulmanos, na luta contra a "dominação" de potências como os EUA de hoje e a Inglaterra do passado colonial. "Até agora, o sangue de grandes mártires como o xeque Ahmed Yassin, (Abdel Aziz) Rantisi (ambos líderes do Hamas mortos por Israel em 2004) e Fathi Shiqaqi (do Hezbollah, morto em 1995), dos jovens buscando o martírio e das vítimas da opressão tem triunfado sobre a espada e, com o poder de Deus, será cada vez mais vitorioso." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |