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Chávez
patrocina peça bolivariana em Teerã |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira, 5
de maio de 2006
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TEERÃ A encenação
do último dia da vida de Urdaneta, um fiel soldado do "libertador"
Simón Bolívar, por estudantes iranianos de espanhol, com
patrocínio da Embaixada da Venezuela em Teerã, é
mais um marco da vertiginosa aproximação entre os governos
de Hugo Chávez e de Mahmoud Ahmadinejad. A mensagem venezuelana, mais até que o tango bailado por Dolores, é música para os ouvidos iranianos, neste momento de acirramento com os Estados Unidos, em razão de seu programa nuclear: "Vemos que o pensamento emancipador de Bolívar, sobre o qual está fundada a República Bolivariana da Venezuela, tinha uma visão futurista, porque até hoje existem povos do mundo submetidos a países de caráter imperial", discursou o embaixador venezuelano em Teerã, Arturo Gallegos, antes da apresentação. Bem adaptado aos costumes
locais, Gallegos começou o discurso, traduzido para o farsi, com
a expressão "em nome de Deus, o compassivo e miseriordioso",
como sempre fazem os políticos iranianos. Para o iraniano médio,
que tem pouca ou nenhuma informação sobre a América
Latina, a solidariedade "bolivariana" estendida pela Venezuela
é recebida como uma iniciativa de todo o subcontinente americano,
contra o inimigo comum intervencionista do norte. Em sua edição
de segunda-feira, o diário econômico Pul (Dinheiro)
estampou na sua primeira página uma foto de Fidel Castro, Hugo
Chávez e Evo Morales, sob a manchete: "Triângulo econômico
da América Latina contra os Estados Unidos." Era a notícia
de que os presidentes cubano, venezuelano e boliviano tinham firmado um
"acordo de comércio popular alternativo", pelo qual Cuba
oferecia médicos e a Venezuela, petróleo barato, ao novo
governo amigo da Bolívia. "Agora somos
três, mas creio que no futuro todos os países da América
Latina vão se aliar a nós", disse Fidel na assinatura
do acordo, segundo o diário Pul. "É a união
histórica de três revoluções", festejou
Morales, que parece já ter superado a relutância inicial
entre seguir o modelo de Chávez ou do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Chávez, por sua vez, "prometeu que, sem ajuda
de Washington, vai-se formar uma aliança econômica e política
na América Latina", noticiou o Pul. Na mesma segunda-feira,
Morales assinou o decreto nacionalizando o gás boliviano, que,
assim como a nacionalização do petróleo iraniano
em 1951, reduz as multinacionais instaladas no país a prestadoras
de serviço, e não mais co-investidoras que partilham com
o governo local o produto da exploração. Uma filial iraniana
da Massey Fergusson (de origem romena) já está fabricando
tratores em Ciudad Bolívar, na Venezuela. Técnicos dos dois
países trocam experiências na agricultura e na agroindústria.
Os acordos de cooperação se multiplicam, com exceção
de um setor. "O tema nuclear não nos interessa", diz
um funcionário venezuelano. "É problema demais. Não
precisamos disso. Não temos pressa (em desenvolver nosso programa
nuclear)." Chávez é
um político famoso no Irã, que, como todo país asiático,
costuma cultivar pouca familiaridade com a América Latina. E se
tornará mais conhecido ainda nas próximas semanas, quando
deve visitar o Irã. A embaixada venezuelana não deixará
que a visita passe em branco. Para a sua cobertura, ela pretende inaugurar
um sofisticado equipamento de televisão, com sistema próprio
de geração de imagens e som via satélite. A idéia
é produzir telejornalismo em Teerã para alimentar a VTV,
a emissora de TV estatal venezuelana, e a Telesur, um canal formado em
parceria com outros países latino-americanos, incluindo o Brasil.
A poderosa Jam-e-Jam, a TV estatal iraniana, também deverá
participar da troca de material jornalístico. É o nascimento de uma insólita sintonia entre as mensagens boliviariana e islâmica. Leia também:
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