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'Só
nos divertimos entre quatro paredes' |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo, 16
de abril de 2006
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TEERÃ Neste templo do consumo,
as pregações do aiatolá Ahmed Djanati não
encontram ressonância; seu sistema moral se observa nas aparências,
não por adesão, mas por imposição. "Nossa
diversão só pode ser entre quatro paredes", diz uma
consultora de investimentos de 34 anos, que prefere não dar seu
nome, e só se deixa fotografar detrás dos óculos
escuros - além do véu. "Todo mundo está
descontente, mas não podemos fazer nada, por causa do controle
do regime", acrescenta. "Se dizemos algo, vamos para a prisão.
Só pelo fato de estar aqui falando com você, se alguém
nesta cafeteria for um policial à paisana, me leva de carro e me
interroga sobre o que estava dizendo." "Infelizmente,
os iranianos médios têm um nível de educação
muito baixo, sua opinião é baseada no que ouvem e lêem,
e eles adoram (o presidente Mahmoud) Ahmadinejad", diz uma psicóloga
de 30 anos, que também não quer identificar-se. "Ninguém
tem idéia do que realmente o governo pretende, e todos preferem
calar-se e tocar a vida." Ainda assim, as duas
elogiam o relaxamento das normas de conduta dos últimos três
ou quatro anos. "Outro dia, vi uma moça com os cabelos compridos
fora do véu", surpreende-se a consultora. "Também
já se vêem homens e mulheres andando de mãos dadas."
Sempre há o risco de um basidji (guardião da moral) ou um
policial exigir documentos. Se não provar que são casados,
pai e mãe ou irmãos, um casal pode ter de pagar multa. Até
nos ônibus e nas praias, homens e mulheres ficam separados. Mesmo entre os iranianos
que se sentem oprimidos pelo regime, no entanto, não é comum
ouvir críticas ao programa nuclear. Ao contrário, eles vão
além do que se costuma dizer em público: que seus fins devem
ser necessariamente pacíficos. "Por que não podemos
ter energia nuclear ou mesmo a bomba atômica? Por que ninguém
diz isso a Israel?", pergunta a consultora. "É um direito
de nosso país. Ninguém tem nada com isso." Embora não
estejam contentes, esses iranianos também não se animam
com uma hipotética troca de regime patrocinada pelos EUA. "Quando
o xá caiu (1979), houve esperança de que a mudança
seria para melhor, e não foi", explica a consultora. "E,
agora, vimos também o desastre que foi no Iraque." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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