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'Modernos'
na mira dos aiatolás |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quinta-feira, 20
de abril de 2006
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TEERÃ O jornal estatal Keihan,
de linha conservadora radical, informou que "grupos de famílias
de mártires" (mortos na guerra contra o Iraque, entre 1980
e 88) foram ao Parlamento manifestar-se contra mulheres que não
cobrem adequadamente os cabelos e o corpo e contra rapazes que usam roupas
e penteados ocidentais. Os manifestantes, segundo o jornal, pediram aos
parlamentares que votem leis para reprimir essas liberalidades. "A maioria dessas
garotas não se veste bem porque não sabe a importância
e o valor do hedjab", disse uma moça identificada como "filha
de mártir". O hedjab é o nome dado ao ato de cobrir
o corpo. "Temos que salvar os jovens", exortou uma outra "filha
de mártir". "Esperamos que haja um projeto de lei para
dizer como as pessoas devem se vestir. Até agora, não se
pode fazer nada porque o governo ainda não apresentou nenhum projeto."
Essa é também
a opinião do comandante da polícia, Sardar Talaie. Segundo
ele, a solução do problema "depende de outras instituições,
como o Parlamento, e a polícia prefere atuar noutras áreas,
como a segurança". Talaie anunciou, no
entanto, que a polícia passaria a prender pessoas que colocam música
muito alta, vendem drogas e andam com animais nas ruas. Ele disse também
que a polícia passaria a reprimir os rapazes que "molestam"
garotas. O jornal Hamshahry, de linha mais independente, observou que
"todo início de ano tem esse problema, por causa do verão".
"Já estamos
no ano do profeta Maomé, temos que cumprir as normas do Islã",
disse uma manifestante ao jornal, referindo-se à decisão
da liderança espiritual iraniana de dedicar este ano ao profeta,
em desagravo pelas caricaturas dinamarquesas. "Quando pedimos essas
coisas, o governo diz que tem problemas mais importantes, como a questão
nuclear, as relações externas", queixou-se uma mulher.
"Por que não podemos buscar soluções para problemas
do nosso país? Observadores com largo
conhecimento do modo de agir do regime iraniano disseram que essas notícias
são sinais do que o governo pretende fazer. Manifestações
de protesto no Irã são iniciativas controladas. Embora haja
muitas pessoas que realmente pensam assim, o fato de elas terem saído
para se manifestar - e de isso ter sido noticiado - significa que podem
estar antecipando as intenções do governo, acreditam analistas. O regime instaurado
com a Revolução Islâmica de 1979 introduziu um rígido
código de conduta nas ruas. Contatos físicos entre casais,
mulheres de cabelo de fora ou com roupas que denunciem suas curvas, maquiagem,
homens sem barba e outras atitudes consideradas ocidentais e imorais passaram
a ser violentamente reprimidas pelos temidos basidjis, os guardiães
dos bons costumes. No início desta
década, no segundo mandato do ex-presidente Mohamad Khatami, a
repressão diminuiu. Mulheres não saem em público
com cabelo descoberto, e as blusas continuam com formato de batas. Mas
as calças jeans e maquiagem se tornaram mais comuns. E muitos rapazes
usam penteados e roupas de grife ocidentais. Com a eleição
do presidente nacionalista Mahmoud Ahmadinejad, no ano passado, cogitou-se
de que poderia haver um retrocesso nessa área. Muitos iranianos
acreditavam que não. "Os jovens representam 70% da população",
disse uma moça de calças jeans, sapatos de salto alto, óculos
de sol e maquiagem. "O governo não pode voltar atrás
nisso." As notícias de ontem foram os primeiros sinais no
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