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Irã
usa diplomacia regional contra pressão do Ocidente |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira, 21
de abril de 2006
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TEERÃ Nadjar disse ontem
em Teerã que a viagem do presidente azeri aos Estados Unidos "ajudará
a baixar a tensão na região". Para o ministro da Defesa,
Aliev "pode informar o governo americano mais detalhadamente sobre
a situação na região e sobre as atividades nucleares
no Irã". Nadjar se apressou a esclarecer que "isso não
significa um pedido para reatar os laços entre o Irã e os
Estados Unidos". E arrematou: "Em seus 27 anos de existência,
a República Islâmica do Irã nunca pediu isso." O Conselho de Segurança
da ONU aprovou resolução no fim de março dando prazo
de um mês para o Irã suspender o seu programa nuclear. O
prazo expira no dia 28. Na terça-feira, o presidente iraniano,
Mahmoud Ahmadinejad, anunciou que o país havia conseguido, pela
primeira vez, enriquecer urânio em escala experimental, e reiterou
a finalidade pacífica de seu programa nuclear. O anúncio
irritou até a Rússia e a China, os membros permanentes do
Conselho de Segurança mais simpáticos ao Irã. O governo russo informou
que vai aguardar a apresentação, no dia 28, de novo relatório
do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica
(AIEA), o egípcio Mohamad el-Baradei, para definir sua posição
sobre o tema. Moscou se recusou, no entanto, a atender a um pedido dos
Estados Unidos, para que abandonasse a construção do reator
de Bushehr, no sudoeste do Irã. Os russos argumentam que o reator
tem a finalidade apenas de gerar energia, e que o Conselho de Segurança
ainda não tomou a decisão de proibir a cooperação
com o Irã nessa área. O reator começou
a ser construído, com tecnologia alemã, ainda nos anos 70,
no regime do deposto xá Reza Pahlevi. Depois da Revolução
Islâmica de 1979, a então União Soviética assumiu
o projeto, que até hoje não foi concluído. Uma equipe chefiada
por El-Baradei esteve no Irã na semana passada, em busca de respostas
para dúvidas sobre o caráter exclusivamente pacífico
do programa nuclear iraniano. El-Baradei deu a entender que a missão
foi inconclusiva. Uma delegação
iraniana chefiada pelo subsecretário do Conselho de Segurança
Nacional, Javad Vaidi, e pelo vice-ministro de Relações
Exteriores, Abbas Araghchi, reuniu-se ontem em Moscou com diplomatas russos
para discutir o resultado (ou a falta de) das conversações
entre os representantes dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança
da ONU - Estados Unidos, Rússia, China, Inglaterra e França
- e mais a Alemanha, nos últimos dois dias. Vaidi e Araighchi se
reuniram na quarta-feira com enviados da Inglaterra, França e Alemanha.
Aparentemente, não houve progresso palpável. O governo iraniano
insiste que seu programa nuclear tem como fim único gerar energia
para a sua indústria. O país tem fraco potencial hidrelétrico
e sua indústria é movida por energia termoelétrica,
à base de petróleo. Ainda assim, o anunciado sucesso no
enriquecimento de urânio encheu de orgulho os militares do país.
"O êxito dos cientistas iranianos em todos os terrenos é
a glória para todo iraniano, colocou o país entre os mais
avançados do mundo", disse o chefe do Estado-Maior do Exército
iraniano, general Abdolrahim Mussavi. Entre essas proezas,
o militar enumerou "o míssil marítimo mais veloz do
mundo, o barco voador (capaz de passar por cima até de uma ilha
e seguir depois na água), manobras recentes com mísseis
supermodernos, a notícia de que jovens cientistas iranianos alcançaram
o ciclo completo da energia nuclear, a nanotecnologia e as células-tronco".
A imprensa oficial iraniana tem publicado análises segundo as quais,
ao "ingressar no clube nuclear", o Irã aumentou o seu
"poder, projeção e influência sobre a região". Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |