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Programa
é irreversível, insiste Irã |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Segunda-feira, 24
de abril de 2006
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TEERÃ "O programa nuclear
iraniano não tem volta", avisou o porta-voz, durante entrevista
coletiva. "Se querem tratar do assunto do ponto de vista técnico,
tudo bem. Mas se querem nos ameaçar, é evidente que o Irã
não renuncia a seus direitos. E está disposto a enfrentar
todas as situações." O presidente iraquiano,
Jalal Talebani, confirmou ontem que as negociações vão
ocorrer em Bagdá, embora não haja data marcada. Seriam as
primeiras conversações diretas entre Irã e EUA desde
o seqüestro de 63 funcionários da embaixada americana em Teerã,
em 1979. Na pequena sala de
entrevistas da chancelaria, os jornalistas, quase todos iranianos, desafiaram
o porta-voz a prometer que o Irã nunca voltaria atrás. "Estamos
firmes", garantiu. "É irreversível." Assefi
lembrou que a estratégia do governo está baseada nas decisões
da liderança espiritual do país. "Todos nós,
o Ministério das Relações Exteriores e os outros,
nos norteamos pelas decisões do líder religioso supremo",
lembrou o porta-voz, referindo-se ao aiatolá Ali Khamenei, que,
na teocracia iraniana, tem funções equivalentes à
de chefe de Estado. "Queremos que
os EUA, como membros da comunidade internacional, usem uma linguagem civilizada",
disse o porta-voz, referindo-se às ameaças americanas de
conter a todo custo o programa nuclear iraniano. À pergunta sobre
se é verdade que os países europeus impuseram ao Irã
a condição de suspender o enriquecimento de urânio,
Assefi respondeu: "Tudo isso é propaganda. Querem criar mais
confusão." Assefi disse que o
Irã não está preocupado com a proposta americana
de impor sanções internacionais à compra de armamentos
pelo Irã. "Desde o início (do regime islâmico,
em 1979), estamos sob embargo de armas, com exceção da ajuda
de alguns países amigos", disse ele. "Todo o êxito
que o Irã conseguiu tem sido pelo esforço de nossos cientistas." O secretário
do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, negociador-chefe
iraniano, viajou ontem ao Bahrein e deve também visitar a Turquia
e outros países da região, para angariar apoio à
posição iraniana. "Continuamos conversando", disse
Assefi. "De todos modos, pode-se estudar o plano dos russos ou outros
planos que garantam nossos direitos. O importante para nós é
que nenhuma opção pode tirar o direito do Irã." O embaixador do Irã
perante a AIEA, Ali-Asghar Soltanieh, anunciou no sábado que o
governo abrirá no mês que vem "a todos os países"
concorrência para a construção de mais dois reatores
nucleares. Os dois também serão em Bushehr, no sudoeste
do país, onde já está sendo construído um
reator, com assistência russa. Segundo o porta-voz,
a posição do Irã se baseia em duas premissas: "as
atividades de pesquisa são inevitáveis" e o país
não renunciará a seu direito. "Evidentemente, qualquer
proposta que atenda a essas premissas pode ser discutida." Os jornalistas perguntaram
como o Irã reagirá se o novo informe que o diretor da Agência
Internacional de Energia Atômica, Mohamad El-Baradei, deve apresentar,
for desfavorável ao Irã, como têm previsto fontes
de governos ocidentais, abrindo caminho para a possível imposição
de sanções contra o país pelo Conselho de Segurança
da ONU. "É preciso
esperar para ver o que vai dizer El-Baradei", respondeu Assefi. "Ele
nunca declarou que o Irã violou as regras da agência. Mas
as potências querem pressionar para que o assunto se torne político
e não técnico. Sempre nos preocupamos em mantê-lo
no âmbito técnico. A opinião dos ocidentais de que
o informe de El-Baradei será negativo nos mostra que eles o estão
pressionado. É isso que nos preocupa." Assefi agradeceu ao
papa por sua declaração de que a crise deveria ser superada
de forma pacífica. "Essa é a visão comum de
todas as grandes religiões: evitar atitudes desumanas", disse
ele. O porta-voz garantiu
que o Irã nunca utilizou centrífugas da geração
P-2, mais eficientes no enriquecimento de urânio que as do modelo
P-1. "O Irã usou apenas a P-1", disse ele. "Isso
já informamos à agência e esteve sob o controle dela.
Podemos decidir usar a P-2 no futuro. Todos os países signatários
do Tratado (de Não-Proliferação Nuclear) têm
direito de utilizá-la. E ninguém pode impedir." Os
jornalistas insistiram se o Irã tem essa geração
de centrífugas ainda não inspecionadas, como suspeita a
AIEA. "Os detalhes, se convier, serão informados pelas autoridades
competentes", escapou Assefi. A possível existência das P-2, num eventual programa clandestino, é um dos motivos da suspeita de que o Irã tenha a intenção de também fabricar armamentos atômicos, e não apenas gerar energia, como alega. Os inspetores também não se contentaram com as explicações do país sobre a compra não-declarada, e detectada pela agência, de equipamentos que podem ser usados em instalações nucleares. O Irã alegou que esses equipamentos se destinaram a laboratórios de pesquisa acadêmica. Mas não permitiu o acesso dos inspetores a todos os cientistas e laboratórios. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |