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Irã
ameaça com programa secreto |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quarta-feira, 26
de abril de 2006
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TEERÃ "Se eles pensam
que, com sanções, podem parar nossas atividades nucleares,
eles que experimentem", desafiou Larijani, numa rápida entrevista
coletiva, durante a abertura de uma conferência internacional sobre
o programa nuclear iraniano, realizada ontem em Teerã. "Nós
cessaremos nossas relações com a AIEA. Esse será
o único resultado. Vamos ver se isso lhes interessa." O secretário
prosseguiu dizendo: "Seguiremos outro curso. Ficará mais fácil
seguir nossas atividades nucleares. Será mais rápido."
Mais adiante, completou: "Lembre-se: depois que você dá
um passo, o segundo será na mesma direção." "Se vocês
recorrerem à ação militar, saibam que, neste vasto
país, se quiserem construir algo, o farão", advertiu
Larijani, no estilo das autoridades iranianas, que se dirigem aos jornalistas
estrangeiros como se estivessem falando com os governos das potências
ocidentais. "Então definitivamente não haverá
transparência alguma." O diretor-geral da
AIEA, Mohamad El-Baradei, deve apresentar na sexta-feira em Viena um relatório
sobre sua última visita ao Irã. No mesmo dia, expira o prazo
dado pelo Conselho de Segurança da ONU para o país suspender
suas atividades nucleares. Larijani mostrou dois
documentos que, segundo ele, eram os acordos nucleares firmados em meados
dos anos 70 entre o Irã do xá Reza Pahlevi e os Estados
Unidos e a França. O acordo com os EUA, firmado na gestão
do então secretário de Estado Henry Kissinger, previa a
construção de instalações nucleares com capacidade
para gerar 20 mil megawatts. O outro, com a França, continha outros
6 mil megawatts. Larijani disse que
os acordos incluíam não só o fornecimento do combustível
mas também a capacitação de pessoal para operar as
instalações. Com a Revolução Islâmica,
em 1979, os contratos foram engavetados. "Nem sequer devolveram o
dinheiro que já tínhamos pagado", queixou-se Larijani.
"Hoje, argumentam que não precisamos de energia nuclear porque
temos muito petróleo e gás. Na época, tínhamos
mais ainda." Larijani fez um histórico
de descumprimentos de contratos por parte de americanos, franceses, russos
e chineses. "Eles dizem que podem nos fornecer combustível
nuclear", comentou o secretário. "Se olhamos para a história,
achamos que temos o direito de duvidar. Não podemos depender disso." Larijani garantiu
que o Irã não violou nenhuma norma do Tratado de Não-Proliferação
Nuclear (TNP). Ele citou, por exemplo, o caso do enriquecimento de urânio
na usina de Natanz, ao norte de Teerã. "Avisamos a AIEA 180
dias antes da injeção do gás (nas centrífugas),
conforme as normas", disse o secretário. De acordo com uma
fonte do setor, no entanto, "ninguém avisa com 180 dias de
antecedência, mas muito antes, quando vai começar uma nova
operação". O ex-presidente Ali
Akbar Hashemi Rafsanjani foi mais cauteloso. "Podemos não
ter comunicado na hora certa alguns avanços", admitiu Rafsanjani,
hoje diretor do poderoso Conselho da Determinação, órgão
de supervisão de assuntos estratégicos. "Mas enganar
não era nosso objetivo." O Irã conduziu por 18 anos
um programa nuclear secreto, até ser flagrado pelos inspetores
da AIEA. Desde então, passou por um período de moratória,
enquanto tentava provar a natureza pacífica do programa. Este ano,
exasperado com a demora de se chegar a um acordo, e acusando os europeus
de fazerem exigências cada vez maiores, retomaram as atividades
e anunciaram ter conseguido enriquecer urânio, em escala experimental,
com pretensões para elevá-la a industrial ainda este ano. "Querem nos forçar a fazer as coisas às escondidas", disse Rafsanjani. "Não queremos. Queremos fazer tudo de forma aberta." Ele garantiu que o Irã é contra o uso de armas de destruição maciça e só quer gerar energia nuclear. Mas avisou que o país não voltará atrás: "Nosso programa nuclear é uma bala disparada por uma arma. Não tem volta." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |