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Rafsanjani
prepara Irã para guerra |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sábado, 29
de abril de 2006
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TEERÃ "Hoje vou falar
sobre as ameaças que podem existir e como temos que nos programar
diante delas", começou Rafsanjani, cujo Conselho responde
pela área estratégica. "No nosso plano de 20 anos,
enunciamos como nos tornaremos a primeira potência da região",
disse ele, referindo-se a um programa de longo prazo do regime iraniano.
"Há muitos obstáculos, mas no Conselho de Discernimento
já estudamos e vemos claramente os problemas que emperram nosso
desenvolvimento." Em seguida, Rafsanjani
desfiou um rosário de críticas ao próprio regime
iraniano, apontando incompetência administrativa e desperdício
de recursos. "Se estivéssemos aproveitando bem a riqueza do
petróleo, teríamos desenvolvido muito mais o país",
analisou Rafsanjani, que lidera a corrente tecnocrática do regime,
e perdeu a eleição presidencial no ano passado, quando o
clero conservador colocou toda a sua máquina contra ele e apoiou
o presidente Mahmoud Ahmadinejad, ultra-religioso e nacionalista. Na complexa
teia do poder iraniano, no entanto, Rafsanjani mantém a sua fatia
considerável. O ex-presidente contou
que em 1979 foi encarregado pelo Conselho da Revolução Islâmica,
que vivia então os seus primeiros dias, de estudar "todas
as hipóteses" da reação dos EUA à tomada
de 63 reféns na embaixada americana em Teerã, por estudantes
radicais que apoiavam o movimento fundamentalista. Descrevendo em detalhes
o desembarque de um avião de carga Hercules C-330 no deserto iraniano
para resgatar os reféns, o ex-presidente lembrou que "tudo
foi muito bem preparado pelos EUA", incluindo intensa atividade de
espionagem no terreno e um complô dentro do próprio Exército
iraniano para apoiar a operação. Entretanto, uma tempestade
de areia impediu a ação dos helicópteros americanos
que seriam empregados no resgate dos reféns. "Vemos que foi
uma intervenção divina", interpretou Rafsanjani. "Deus
nos salvou com um fenômeno natural", enfatizou. "Naquele
dia, não fomos nós os protetores do Irã. Foi Deus",
concluiu, num implícito paralelismo com o que pode acontecer nesse
novo embate com os EUA. "Centenas de
pesquisadores estão trabalhando no país. Ainda que os mandem
parar, não pararão", disse Rafsanjani. "O que
vocês puderam fazer contra Galileu e Copérnico?", perguntou,
dirigindo-se às potências ocidentais. "O terreno científico
estava preparado. Agora também está. Vocês podem acabar
com as pessoas. Mas o país já tem a ciência." "Nós desenvolvemos
ponto a ponto o combustível nuclear", asseverou Rafsanjani,
para uma platéia de cerca de 8 mil fiéis, que lotavam uma
espécie de ginásio destinado a essa pregação
semanal. "Vocês acham que o país vai esquecer todas
essas pesquisas realizadas?" O ex-presidente continuou: "Não
temos nenhum objetivo militar. São vocês que vêem tudo
do ponto de vista militar e do poder." E concluiu: "Sem dúvida
seguiremos o nosso caminho." Ao que os fiéis
gritaram: "Raiz (líder), morte à América, morte
a Israel, morte a todos os hipócritas. A energia atômica
é nosso direito legítimo." Durante todo o sermão,
Rafsanjani segurou o cano do fuzil-metralhadora, com a culatra apoiada
no chão. Pelo menos dez homens de seu corpo pessoal de segurança,
alguns com fardas pretas e pistolas, se interpunham entre o púlpito
e os fiéis. No meio do discurso, um homem jogou um sapato na direção
de Rafsanjani e só conseguiu gritar seu nome. Antes que dissesse
algo mais, foi agarrado de todos os lados, com a boca tapada, e levado
pela polícia. O incidente fez a segurança examinar, na saída,
todas as imagens dos cinegrafistas e fotógrafos, censurando a cena.
Mas a maioria dos profissionais iranianos nem se tinha dado o trabalho
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