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'Se nos bombardearem,
sabemos aonde temos que ir' |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Segunda-feira, 1.º
de maio de 2006
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TEERÃ "Ainda não
está esgotada a via diplomática", salientou Larijani,
negociador-chefe do programa nuclear iraniano. "Se eles forem pelo
bom caminho, nós também vamos. Se quiserem nos molestar,
também vamos molestá-los." Falando a cerca de 500 estudantes
da Universidade Industrial Sharif, o secretário parafraseou o filósofo
René Descartes: "Os EUA dizem: 'Molesto, logo existo.'"
Segundo Larijani,
o Irã não quer guerra e está disposto a provar que
não busca a bomba atômica. "Queremos
continuar conversando, mas sem pressões", disse ele. "A
situação mudou. Temos a tecnologia (de enriquecimento de
urânio). Aceitamos com braços abertos qualquer coisa que
seja lógica." O
secretário disse que os iranianos já estão com alergia
de ouvir: "Parem o programa nuclear", e que não aceitam
essa hipótese. "Toda ação
tem uma reação", insistiu Larijani, cujo Conselho está
diretamente subordinado ao líder espiritual, Ali Khamenei, e que
está encarregado de formular políticas estratégicas.
"Obrigar-nos e pressionar-nos vai causar uma reação.
Conversar pacificamente causará outra reação. A bola
está no campo deles. O que querem fazer com ela?" "Se estão
pretendendo nos enganar, é bom que saibam que temos cabeça,
não somos tontos", disse Larijani, que arrancou muitos aplausos
e risadas dos estudantes, em sua maioria homens, durante mais de duas
horas de palestra seguida de perguntas. "(A secretária de
Estado americana, Condoleezza) Rice disse que custaria US$ 70 milhões
para derrubar o regime iraniano", ironizou Larijani. "É
pouco. Com isso só conseguem dar um chocolate a cada iraniano.
Se forem gastar dinheiro, é melhor que dêem um carro para
cada iraniano." De acordo com Larijani, as potências ocidentais prometeram fornecer combustível para os reatores nucleares iranianos, mas o Irã não pode confiar nelas. "Um país independente tem que ter seu próprio combustível", salientou. "Dentro de 20 a 25 anos, o petróleo e o gás do Irã terão acabado." Segundo ele, o Irã
tem muitas reservas de urânio. "Somos signatários do
Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).A Agência
Internacional de Energia Atômica (AIEA) deveria nos dar tecnologia,
mas a única coisa que nos manda são inspetores", queixou-se
ele. "Fizemos tudo sozinhos. Nossos cientistas têm 30 anos
de idade. Os países poderosos não deixam que os objetivos
do TNP sejam alcançados." Na semana passada,
Larijani ameaçou abandonar a AIEA se o Conselho de Segurança
da ONU impuser sanções ao Irã. Ele acrescentou ontem
que, se o caso do Irã for levado ao Conselho, o país vai
"reduzir a freqüência das visitas dos inspetores da ONU". A estudantes que se
mostraram preocupados com as conseqüências de um bloqueio internacional
contra o Irã, Larijani declarou: "Se você quer um país
com tecnologia atômica, tem que sacrificar-se." Larijani foi
à Universidade Sharif, centro de referência em engenharia
e ciências exatas, para lembrar a morte do grão-aiatolá
Morteza Motahari, um dos ideólogos da Revolução Islâmica.
Motahari, de quem Larijani era genro, foi morto a tiros em 1979, por um
miliciano contrário ao regime que se instalava. Por isso é
considerado um mártir. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |