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Desemprego causa
protesto no Irã |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Terça-feira, 2
de maio de 2006
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TEERÃ Os manifestantes,
convocados pela União dos Sindicatos de Trabalhadores, acusaram
Jahromi de ter vínculos com os bazaris, os ancestrais e ainda poderosos
comerciantes do país, e de defender os interesses dos empregadores.
Mas frisaram seu apoio ao presidente Mahmoud Ahmadinejad e ao regime teocrático.
"As leis trabalhistas
são as leis do imam", gritaram os manifestantes, numa referência
ao líder da Revolução Islâmica de 1979, aiatolá
Ruhollah Khomeini. "Deus é grande. Os trabalhadores sacrificam
sua vida pelo guia (o líder espiritual do país, aiatolá
Ali Khamenei)." Em meio a essas afirmações de apreço
pelo regime, os manifestantes iam encaixado suas reivindicações:
"As leis trabalhistas têm que ser cumpridas. Fora, Jahromi.
Você não merece ser ministro do Trabalho. Deus é grande.
Queremos empregos formais. Soltem os trabalhadores presos." Representantes dos
cerca de 12 mil motoristas e cobradores de ônibus de Teerã,
que formam um movimento independente, disseram que uma greve da classe
por melhores salários e direitos trabalhistas terminou na prisão
de 300 a 400 dos 600 grevistas. O salário da classe está
na faixa de 2 milhões de riales (US$ 220), e um salário
"decente", segundo eles, seria de no mínimo 7 milhões
(US$ 769). "Está
certo que a tecnologia nuclear é nosso direito, mas emprego também
é", argumentou Hejabe Sedakat, demitido há três
anos de uma fábrica de açúcar, depois que ela foi
privatizada. "É melhor parar essas privatizações."
Hoshang Jamshidi é outro que diz ter sido demitido há um
ano, depois que a fábrica de eletrodomésticos Asmaiesh,
na cidade de Shiraz, foi privatizada. "O empresário que comprou
a fábrica tem outras 15, é um homem muito rico, mas demitiu
700 dos 1.400 operários", afirmou Jamshidi. Numa reunião
no domingo com líderes sindicais, Ahmadinejad declarou-se a favor
da desestatização das empresas, mas disse que, em vez de
vendê-las a empresários, o governo deve passar sua gestão
aos trabalhadores. "O povo é que deve administrar as empresas",
declarou o presidente, eleito no ano passado com o compromisso de fazer
um governo para os mais pobres. Ele ordenou que seu ministro da Economia,
Davoud Danesh-Jafari, reveja as privatizações, e que Jahromi
acompanhe o tema. O desemprego oficial
está em 15%, mas estima-se que o "real" seja de 20%.
Para uma força de trabalho de cerca de 24 milhões de pessoas,
calcula-se que 4 milhões (16%) estejam subempregadas. O populismo
de Ahmadinejad não tem ajudado. Desde que o presidente ordenou
aumentos salariais de até 50%, a partir de 21 de março,
quando começa o ano iraniano, 10 mil trabalhadores foram dispensados. "Pedimos a Ahmadinejad
que no seu gabinete coloque ministros que saibam manejar bem as coisas",
disse ao microfone Hassan Sadehi, do conselho executivo da União
dos Sindicatos. "Este governo e o Parlamento apóiam os trabalhadores.
Se não os ouvirem, vai ser perigoso, porque a maioria no governo
e na sociedade é formada de trabalhadores, e eles vão perder
o seu apoio." O Parlamento tem poderes para destituir um ministro. Havia indícios
de que a manifestação foi apoiada por setores do próprio
governo. "Não recebemos ainda o décimo-terceiro salário",
disse uma moça de cerca de 30 anos, que trabalha como secretária
numa firma do governo. "Só estou aqui porque sou obrigada.
Se não aparecemos aqui, pagamos o dobro da mensalidade na universidade."
O regime iraniano é um mosaico de grupos, que disputam espaços
de poder continuamente. Segundo um membro
da União dos Sindicatos, que se identificou apenas como Mohamad,
o ministro do Trabalho enviou cartas às fábricas estatais
avisando que não era para comparecerem à manifestação
de ontem. "Felizmente, os trabalhadores têm muito poder",
vangloriou-se. "O imam Khomeini valorizava muito esse dia, e o aiatolá
Khamenei, também. O presidente Ahmadinejad apóia os pobres.
Infelizmente, o ministro do Trabalho, não." Ao final da manifestação,
um sinal de aprovação do governo estava numa camionete estacionada
na avenida. Pertencente à Casa do Trabalhador de Teerã,
sustentada pelo governo, ela distribuía água para os manifestantes.
Sob o sol forte da primavera, policiais subiram em sua carroceria, não
para dissolver o tumulto que se formou a seu redor, mas para pegar água
para eles também. "Sempre estamos sob a vigilância do
governo", disse Hassan Abdel Yahi, 49 anos, demitido de uma fábrica
de cristais em 1996 por sua militância em favor da formalização.
"Só com permissão dele podemos fazer essa manifestação." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |