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Editor de Paulo Coelho teme
censura do governo |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quinta-feira, 4
de maio de 2006
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TEERÃ Dos 15 livros do escritor
brasileiro, 14 foram publicados pela Caravan Books, a editora de Hejazi.
A exceção é 11 Minutos. "Não foi autorizado
pelo governo, porque é sobre sexo." Embora sexo, adultério,
loucura e outros "desvios" sejam abordados nos livros de Coelho,
Hejazi diz que foi possível publicar praticamente todas as suas
obras no Irã porque "ele não é um escritor de
sexo, de perversões", etc. Para Hejazi, o êxito
de Coelho no Irã se explica pela sua linguagem universal. "O
Irã sempre foi um país espiritual", diz o editor. "Aqui
surgiram o sufismo, o maniqueísmo, o zoroastrianismo." As
pesquisas de mercado da editora indicam que 70% dos leitores de Coelho
são mulheres e estão na faixa dos 18 aos 40 anos. "Muitas
estudantes são suas fãs." Mal abriu-se o stand da Caravan
ontem, no primeiro dia da Feira Internacional do Livro de Teerã,
moças de chador (o véu que cobre da cabeça aos pés)
vieram perguntar pelos livros de Coelho. Quando esteve em Teerã,
em maio de 2000, para o lançamento de Brida - que hoje figura em
nono na lista dos livros mais vendidos no Irã -, Coelho causou
uma comoção. Cerca de 10 mil fãs foram até
a livraria, formando enorme tumulto, que fez o lançamento ser cancelado,
com o escritor saindo sob escolta. Em abril do ano passado,
O Zahir foi lançado no Irã uma semana antes do seu lançamento
mundial, por uma razão sui generis. As leis iranianas não
prevêem direito autoral de livros que não são publicados
em primeiro lugar no país. Somente O Alquimista tem 30 edições
piratas no Irã, contabiliza Hejazi, o único que paga os
direitos autorais de Coelho. Como O Zahir fala
de homossexualismo, mesmo tendo sido aprovado pela censura, a polícia
confiscou as mil cópias que Hejazi tinha no seu stand na Feira,
no ano passado, e proibiu as vendas. O editor foi detido e interrogado. Coelho denunciou o
incidente à imprensa internacional e, sob pressão, o governo
iraniano devolveu as mil cópias e liberou as vendas. Isso foi ainda
sob o governo reformista do ex-presidente Mohamad Khatami. Hejazi, de 34 anos,
interessou-se pelo Brasil quando ainda estudava medicina, no início
dos anos 90. Um amigo brasileiro lhe mandou uma fita com músicas
de Raul Seixas, e ele gostou. Hejazi, que já falava espanhol, francês
e inglês, resolveu estudar português, como autodidata. Leu
Jorge Amado e José Mauro de Vasconcellos, antes de chegar aos livros
de Paulo Coelho. Depois de deixar a clínica geral e abrir a Caravan, com um sócio, em 1997, Hejazi fez contato com Coelho, por meu de seu site na internet. O escritor se mostrou interessado na situação de copyright de seus livros no Irã, e Hejazi se dispôs a resolver o problema. Depois do lançamento em maio de 2000, Coelho e Hejazi, já amigos, passaram duas semanas juntos na Espanha, em outubro do mesmo ano. O editor perguntou ao escritor se tinha música brasileira. Coelho tocou para ele canções de Raul Seixas. Hejazi lhe contou que seu interesse pelo Brasil tinha surgido com o cantor. Foi aí que ficou sabendo que Coelho tinha sido o seu letrista. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |