‘Lembra-se do Vietnã?’, desafia o general herói

LOURIVAL SANT’ANNA
Enviado especial
Domingo, 7 de maio de 2006

VARDE
Construído no início do século 9.º, o pequeno santuário de Varde abriga o túmulo de Hazrat Abdulghahan, irmão de Reza, oitavo imam (mensageiro de Deus) entre os 12 da tradição xiita. Hazrat foi morto em Hende, como se chamava antes este lugar, 70 quilômetros ao noroeste de Teerã. Com sua morte, o vilarejo foi renomeado Varde, que significa "ao lado do povo", e se tornou um local de peregrinação. Os fiéis depositam oferendas e amarram fitas coloridas nas grades que protegem o túmulo, na esperança de verem seus pedidos atendidos quando as fitas se desatarem.

Na manhã de terça-feira, o general Meissam Mahdi Mojahid veio peregrinar no túmulo de Hazrat. Herói da guerra Irã-Iraque (1980-88), o corpo cravado de 16 cicatrizes de balas e fragmentos de granadas, Mojahid, de 45 anos, pertence à Sepah, ou Guardas Revolucionários, uma força de elite formada depois da Revolução Islâmica de 1979 que combina alta capacitação militar com fervor doutrinário. Flexível e transdisciplinar, a Sepah reúne forças terrestres, aéreas e navais, e atua paralelamente às Forças Armadas regulares. A Sepah é do regime; as forças regulares, do Estado.

O general está confiante. "Lembra-se do Vietnã?", pergunta ele. "Se os EUA invadirem o Irã, nossos jovens, como esses dois, vão se explodir na frente dos soldados americanos", diz Mojahid, apontando para Wahid Esmaili, de 27 anos, e seu irmão Homed, de 21, que ouvem a conversa. Wahid, um engenheiro eletrônico que trabalha numa instalação nuclear de Karaj, a 35 quilômetros de Teerã, e Homed, que cria peixes, confirmam que estão prontos para o sacrifício. "Para nós, o martírio é a glória", garante Mojahid, saindo do santuário. "A tecnologia nuclear é direito de todos os iranianos, e vamos resistir até a última gota de sangue."

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