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Alta votação
favoreceria opositor |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Terça-feira, 16
de junho de 2009
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TEERÃ Segundo o Ministério
do Interior, o comparecimento foi de 85%, o que ultrapassa o recorde anterior,
de 80%, em 1997, quando o reformista Mohammed Khatami venceu o conservador
Ali Akbar Nateq-Nuri com 69% dos votos. Desde então, há
um consenso entre os analistas de que o alto comparecimento favorece os
que se opõem aos conservadores. Isso porque os eleitores que não
votam são em geral aqueles que rejeitam como um todo o regime teocrático
instituído pela Revolução Islâmica de 1979.
Foi o que aconteceu em 2005, quando a decepção com o fracasso
de Khatami em realizar as reformas prometidas levou a um comparecimento
de 48% no segundo turno, contribuindo para a vitória de Ahmadinejad,
representante do clero conservador. A oposição
dispunha de um fiscal para cada cinco urnas eleitorais. A coordenação
do seu trabalho estava baseada no uso de mensagens por sms. A rede entrou
em colapso - assim como páginas na internet usadas na mobilização
dos oposicionistas, incluindo o site de relacionamentos Facebook. A oposição
afirma que seus fiscais foram impedidos de acompanhar a contagem dos votos
e a sua centralização, em Teerã. O Irã não
admite observadores internacionais. Não há pesquisas de
opinião confiáveis. A contagem dos votos
é manual. Na noite da eleição, uma repórter
da TV estatal disse ter sido informada de que os primeiros resultados
preliminares seriam anunciados entre 5 e 6 horas da manhã de sábado.
Inesperadamente, 15 minutos antes de a votação encerrar-se,
à meia-noite, a Comissão Eleitoral anunciou os resultados
de 5 milhões de votos, ou 19,42% do total. Ahmadinejad disparava
na frente, com 69,04%, ante 28,42% para Moussavi, que pouco antes havia
anunciado que, pelos dados de que dispunha, havia ganhado a eleição. Na entrevista coletiva
que concedeu no domingo, Ahmadinejad descartou a possibilidade de fraude.
"Não sei por que estão questionando, se 40 milhões
de pessoas participaram", disse o presidente, referindo-se ao número
de eleitores que compareceram. "Nosso sistema é muito coerente.
O monitoramento é feito pelo próprio povo. A Comissão
Eleitoral só realiza os preparativos, a logística."
Isso se aplica à votação, como ocorre no Brasil e
noutros países. A contagem, no entanto, foi monopolizada pelo Ministério
do Interior, afirmam os oposicionistas. Os resultados em si
também fogem a qualquer padrão eleitoral. De acordo com
eles, Moussavi, de etnia azeri, teria sido derrotado até mesmo
em Tabriz, a capital da província iraniana do Azerbaijão.
Isso é considerado impossível por muitos iranianos. A votação
de Karroubi também causou perplexidade. Ex-presidente do Parlamento,
o reformista é um político conhecido. Não se previa
que ele passasse ao segundo turno, mas se esperava uma votação
expressiva. A contagem oficial atribui-lhe menos de 400 mil votos - 12
vezes menos que os 5 milhões de votos (18%) que ele obteve no primeiro
turno da eleição presidencial de 2005. Karroubi chamou o
resultado de "brincadeira"; Moussavi, de "perigosa charada".
Alguns de seus partidários sustentam que a votação
dele e de Ahmadinejad foi trocada. Muitos oposicionistas
e independentes temiam manipulação dos resultados. Mas ninguém
esperava que Moussavi nem sequer passasse para o segundo turno. Em suas
entrevistas coletivas depois do anúncio dos resultados, o presidente
e o ministro do Interior, Sadeq Mahsouli, evitaram entrar em detalhes
sobre todos esses questionamentos, lidando com a vitória de Ahmadinejad
como se fosse óbvia para todos. Essa atitude só aprofunda
o ceticismo. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |