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Classe média
volta às urnas no Irã |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira, 12
de junho de 2009
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TEERÃ É muito mais
o sentimento de rejeição ao presidente do que de adesão
ao programa de Moussavi - há 20 anos fora da política, depois
que deixou o cargo de primeiro-ministro - que move os seus eleitores.
Para eles, Ahmadinejad representa a imposição estrita da
moral islâmica; o isolamento do Irã e a hostilidade do mundo
diante da atitude de desafio com que conduz o programa nuclear, nega o
Holocausto e o Estado de Israel; inflação e desemprego.
Não há pesquisas confiáveis no Irã. Mas os
outros dois candidatos, o reformista Mehdi Karroubi e o conservador Mohsen
Rezai, não parecem ter chances. "Em geral, não
gostamos de nenhum deles, não temos muita esperança",
diz a arquiteta Marie Nuri, de 26 anos, o véu azul caído
para trás, deixando aparecer os cabelos castanhos. "Mas Ahmadinejad
é muito horrível, faz muita bobagem. Ou mudamos o sistema
do país, ou vamos embora. Precisamos mesmo é de uma nova
Revolução." Para muitos, a participação
na campanha da mulher de Moussavi, Zaghra Rahnavard, professora de ciência
política, simbolizou a possibilidade de um pouco mais de igualdade.
Zaghra não é exatamente uma liberal. Ela liderou em 2000
uma campanha para que as mulheres usassem roupas coloridas no lugar do
chador - que cobre dos pés à cabeça - preto, mas
defende o uso do véu e é autora de uma peça em que
o escritor Salman Rushdie, de Os Versos Satânicos, aparece como
o Diabo. Moussavi foi um revolucionário islâmico e primeiro-ministro
conservador (1981-89). É em contraste com Ahmadinejad que o casal
parece moderno. Ex-integrante dos
Basijis, a milícia semi-estatal que impõe o código
de vestimentas e comportamento islâmicos, Ahmadinejad defende costumes
considerados arcaicos, como os homens poderem casar-se quatro vezes. Claro
que ele não desagrada a todos os jovens e mulheres. "Nosso
governo é religioso e não temos problema com o hejab",
disse a estudante do ensino médio Nargues Tehgan, de 18 anos, referindo-se
à obrigação das mulheres de cobrir-se com o véu.
Sob o forte sol de primavera, ela usava um chador preto no comício
de Ahmadinejad, na quarta-feira. "Muita gente
morreu pelos ideais da Revolução Islâmica", lembrou
Mahmud Darzi, de 33 anos, estudante de teologia na cidade sagrada de Qom,
com uma túnica e turbante. "Pouco a pouco, ela se desviou
do rumo. Mas a maioria do povo ainda quer voltar ao caminho da Revolução." Ao lado dos valores
da Revolução, Ahmadinejad buscou outra identificação
- com os pobres. Além de se vestir, falar e se parecer com eles,
e de viajar para o interior frequentemente, Ahmadinejad distribuiu dinheiro
para 5,5 milhões de pobres, concedeu financiamentos para moradias
e melhorias na zona rural. O presidente dobrou o salário dos funcionários
públicos e as aposentadorias. "Amo Ahmadinejad", disse
a ex-professora Simi Jafari, de 50 anos, cuja aposentadoria aumentou do
equivalente a R$ 400 para R$ 800. Enquanto isso, os
preços subiram, sobretudo nos supermercados não subsidiados,
frequentados pela classe média. O litro do leite, que em 2007 custava
o equivalente a R$ 0,50, saltou para R$ 1,20; o quilo do arroz aumentou
nos quatro anos de governo de R$ 2,10 para R$ 4,10. "Os preços
subiram muito, e só estão estáveis agora por causa
da eleição", disse Caroline Mahmudi, uma dona de casa
de 32 anos. "Com esse custo de vida, é preciso votar em Moussavi." A inflação
saltou de 6,5%, há quatro anos, para 14% nos últimos 12
meses; o último índice anualizado atingiu 23,6%. Ao mesmo
tempo, o desemprego, que era de 10,5% em 2005, subiu para 13%, segundo
o índice oficial, ou de 16% a 17%, de acordo com cálculos
extra-oficiais. Para o economista Said Laylaz, essa combinação
de inflação e desemprego é resultado da forma como
o governo "desperdiçou e saqueou" a receita de US$ 300
bilhões de exportações de petróleo e gás
nesses quatro anos. O dinheiro foi destinado ao consumo e não a
investimentos na produção, que diminuiu, segundo Laylaz,
que apoia Moussavi. Toda essa situação
criou uma polarização sem precedentes desde a Revolução
de 1979. Embora ela tenha sido estimulada pelo presidente, pode prejudicá-lo
nessa eleição. O diretor do Conselho Eleitoral, Kamran Daneshjoo,
previu que o comparecimento poderá superar os 79,93% da eleição
de 1997, quando Khatami obteve seu primeiro mandato. "Os que normalmente
não votam, e poderão ir às urnas, são a oposição
silenciosa ao regime", diz Khosrow Soltani, editor do jornal Iran
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