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Campanha causa
divisão na cúpula do poder no Irã |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira, 12
de junho de 2009
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TEERÃ Derrotado por Ahmadinejad
nas urnas em 2005, Rafsanjani apoia Moussavi, como ele integrante da cúpula
governante depois da Revolução Islâmica de 1979. Rafsanjani,
líder da corrente "pragmática" da política
iraniana, encabeça uma frente de conservadores e reformistas unidos
para evitar a reeleição de Ahmadinejad, que consideram uma
ameaça ao país. Além das diferenças
políticas, há disputas econômicas. Ahmadinejad tem
preterido as bonyats, fundações convertidas em poderosas
holdings em todos os setores da economia, dirigidas por clérigos.
O presidente tem destinado os contratos do Estado e entregado ações
das estatais a empresas criadas pelos Guardas Revolucionários e
pelos Basijis, subordinados a Khamenei e vinculados a Ahmadinejad. Ahmadinejad partiu
na reta final da campanha para o ataque direto contra Rafsanjani, acusando-o
e a sua família de corrupção e lavagem de dinheiro.
Foi chamado de "mentiroso" pelos outros candidatos. Desde a
Revolução de 1979 uma campanha presidencial não assumia
um tom tão agressivo no Irã. Khamenei, cuja função
supostamente paira acima da política, mas que apoia tacitamente
Ahmadinejad, criticou essa agressividade, sem citar diretamente o presidente,
que continuou os ataques, prometendo "tirar todo o poder dos corruptos"
se for reeleito. Em seu comício de encerramento de campanha, na
quarta-feira, seus partidários gritaram "Marg bar Akbar shah",
ou "Morte ao rei Akbar" (Rafsanjani). O ex-presidente enviou
uma carta a Khamenei, exigindo que ele contenha Ahmadinejad, para evitar
a desestabilização do país. A Assembléia dos
Especialistas, composta por 86 clérigos, também presidida
e controlada por Rafsanjani, nomeia o líder espiritual, supervisiona
seu trabalho e pode destituí-lo. No sistema circular de poder iraniano,
Khamenei também nomeia e pode destituir o presidente da Assembléia.
Mas Rafsanjani tem o apoio da maioria dos clérigos, que poderiam
rebelar-se. A carta assinala o
fim de uma fase de convivência entre os dois homens mais poderosos
do país. Foi Rafsanjani que convenceu a Assembléia dos Especialistas
em 1989 de que Khomeini queria Khamenei como seu sucessor, quando o candidato
natural era o aiatolá Hossein-Ali Montazeri. Em troca, ficou como
a eminência parda do regime. "Khamenei acha
que já retribuiu o favor, dando a Rafsanjani a presidência
da Assembléia dos Especialistas, e que não lhe deve mais
nada", diz o analista político Hermidas Bavand, professor
da Universidade Alameh Tabatabaee. Bavand acredita que a saída
mais provável para o impasse seja a criação de uma
liderança colegiada, com três a cinco membros, cuja presidência
Rafsanjani ofereceria a Khamenei. "As decisões passariam a
ser coletivas." Essa modalidade de liderança é prevista
na Constituição. O analista político
Mehrdad Serjooie, do Centro de Estudos Estratégicos, subordinado
à Assembléia dos Especialistas, também acredita nesse
desfecho. Segundo ele, há cerca de dois anos, os clérigos
da Assembléia quiseram nomear Rafsanjani líder. Ele recusou
e, um ano depois, voltou de um encontro com o líder xiita iraquiano
Ali al-Sistani com a ideia de instituir a liderança colegiada. O próprio Ahmadinejad,
por outro lado, até aqui considerado submisso a Khamenei, parece
acalentar projetos próprios, diz Bavand. "Ele está
tentando mudar a sua fonte de sustentação política,
das instituições comandadas pelo líder espiritual
para uma base popular. Se ganhar a eleição, ele acha que
não dependerá mais dessas instituições, e
poderá assumir o status de herói dos despossuídos." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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