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Ahmadinejad sai
na frente, mas opositor também proclama vitória |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sábado, 13
de junho de 2009
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TEERÃ As autoridades, no entanto, não informaram de onde vinham esses votos, se do interior do país, reduto de Ahmadinejad, ou se das grandes cidades, onde Moussavi supostamente tinha sua base. Embora a contagem seja manual, os primeiros resultados começaram a ser anunciados apenas 20 minutos depois do fechamento das últimas urnas, à meia-noite em Teerã (16h30 em Brasília). A mídia estatal chegou a anunciar a vitória de Ahmadinejad, que já se havia declarado reeleito logo após o fechamento das urnas. Mas Moussavi denunciou irregularidades e também se proclamou vencedor. O oposicionista queixou-se da falta de cédulas em seções eleitorais no norte de Teerã, reduto reformista, e do colapso do sistema de envio de mensagens pelo celular, que sua campanha utilizou amplamente, assim como a internet. Um porta-voz do Ministério
das Telecomunicações confirmou o problema à Associated
Press, e disse que estava sendo investigado. Pelo menos três páginas
na internet usadas pela campanha de Moussavi também foram tiradas
do ar, sem explicação. Na madrugada de hoje
em Teerã, houve confrontos entre eleitores de Moussavi e a polícia.
Para evitar tumultos, o Ministério do Interior proibiu aglomerações
até o anúncio do resultado final, previsto para esta manhã.
A vitória de
Ahmadinejad deve significar a manutenção da posição
desafiante do Irã na condução do seu programa nuclear
e da hostilidade em relação aos Estados Unidos e a Israel.
Os comícios de Ahmadinejad foram marcados pelo tradicional slogan
"Morte à América", apesar dos movimentos do presidente
Barack Obama em direção a negociações com
o Irã. Nos últimos
dias, Ahmadinejad radicalizou, declarando guerra ao ex-presidente Ali
Akbar HashemiRafsanjani,
considerado pragmático, que liderou uma aliança de conservadores
e reformistas contra sua candidatura. O presidente afirmou no seu comício
de encerramento, na quarta-feira, que um de seus maiores erros foi "ter
mantido gente dos governos anteriores", que "prejudicaram"
seu governo, e prometeu "tirar todo o poder dos corruptos",
numa referência a Rafsanjani e seus familiares e a outros aliados
de Moussavi. A atitude representa uma ruptura do sistema de distribuição
de poder entre as diversas correntes, que vigora desde a Revolução
Islâmica de 1979. Ahmadinejad, de 52
anos, reforçou sua popularidade nos últimos meses, distribuindo
ajuda em dinheiro a 5,5 milhões de pobres, e empréstimos
para moradias e melhorias em pequenas propriedades rurais. Ele também
aumentou os salários dos funcionários públicos e
as aposentadorias. A oposição o criticou pelo aumento da
inflação, de 6,5%, no início de seu governo, para
14%, nos últimos 12 meses; e do desemprego, de 10,5% para 13%,
segundo o índice oficial, ou 17%, de acordo com cálculos
extra-oficiais. Já o presidente diz ter acelerado o crescimento
econômico em seu governo, que atingiu a média de 6,25% nos
últimos quatro anos, em comparação com 5,61% no mandato
anterior do reformista Mohammad Khatami. "A decisão
forte, revolucionária e clara do povo trará um futuro brilhante
para a nação", disse Ahmadinejad, ao votar numa região
pobre do sul de Teerã. "Agradeço a todas as pessoas
pela presença verde que criou um milagre", disse, por sua
vez, Moussavi, de 67 anos, referindo-se à cor de sua campanha.
Ele votou ao lado de sua mulher, Zaghra Rahnavard, ícone de sua
campanha, que atraiu o voto sobretudo de mulheres ansiosas por mais liberdade
e igualdade. O líder espiritual,
Ali Khamenei, anunciou que o voto era um dever religioso, e também
uma forma de impedir as "conspirações dos inimigos".
Khamenei, que apoia tacitamente Ahmadinejad, conclamou a população
a aceitar o resultado, qualquer que fosse. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |