|
Mulher de Moussavi
atrai voto feminino |
|
| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quarta-feira, 10
de junho de 2009
|
|
TEERÃ A estrela do comício
- do qual Moussavi não participou - foi a sua mulher, Zaghra Rahnavard,
professora de ciência política. A participação
da mulher na campanha, inédita no Irã, parece simbolizar
a promessa de campanha de Moussavi, de garantir direitos iguais para ambos
os sexos. "Moussavi Rahnavard, tassavi zan va nard (igualdade mulher
e homem)", entoavam as mulheres - e também muitos homens,
do outro lado do cordão humano que os dividia. "Olá,
vocês que buscam respeito internacional", saudou Zaghra. "Vocês
que querem boas relações com todo o mundo, equilíbrio
na política, não amizades impensadas", continuou a
cientista política, aparentemente referindo-se às alianças
de Ahmadinejad com figuras como o presidente Hugo Chávez, da Venezuela.
"Olá, vocês que buscam pessoas inteligentes, não
magos e bruxas, e que não aceitam que a segunda pessoa mais importante
do país minta na TV." A primeira é o líder supremo,
o aiatolá Ali Khamenei, que, embora conservador, aparece nos cartazes
da campanha de Moussavi, num esforço de legitimação
da candidatura do moderado perante a parcela de conservadores descontente
com Ahmadinejad, por sua retórica incendiária e seu estilo
populista. "Somos contra
a pobreza, a fome e a desigualdade", sublinhou Zaghra. "Queremos
reativar a economia." Eleito em 2005 com a promessa de "colocar
na mesa a riqueza do petróleo", Ahmadinejad distribuiu nas
últimas semanas dinheiro para 5,5 milhões de pobres, além
de oferecer financiamento para moradias e aumentos de salários
e aposentadorias para os servidores públicos. Zaghra aproveitou
para lembrar a acusação que Ahmadinejad fez contra ela no
debate com Moussavi na semana passada. O presidente, cujo governo a destituiu
do cargo de reitora da Universidade Al-Zahar (só de mulheres),
afirmou que ela havia usado certificados falsos. "Ele insultou todas
as mulheres", disse a professora. "Durughgu" (mentiroso),
repetia a multidão. Oradores que vieram
antes de Zaghra acusaram Ahmadinejad de usar a máquina do governo
em sua campanha e disseram que o Ministério do Interior não
autorizou Moussavi a fazer comícios em lugares maiores, como o
Estádio Azadi, com capacidade para 100 mil pessoas, e a Grã-Mesquita
Mussala, cenário de comício do presidente na segunda-feira.
"Se houver fraude, teremos outra revolução no Irã",
gritou a multidão. "Apoio Moussavi
porque sou a favor da liberdade de imprensa, não quero caminhar
nas ruas com medo dos basidjis (a polícia que vigia o cumprimento
do código de costumes)", disse a contadora Setare Khodayari,
de 25 anos. "Além disso, meus pais dizem que a melhor época
no Irã foi durante o governo de Moussavi (1981-89)." "Estou aqui porque
não quero mais ouvir mentiras de que o povo não passa fome,
de que toda a imprensa é livre e de que o Holocausto não
existiu", explicou o escritor Mani Parsa, de 34 anos, conhecido no
país por seus romances. "Moussavi quer reduzir o poder de
Khamenei, para que tenhamos liberdade para fazer o que quisermos",
disse o professor de inglês Berzad, de 44 anos. "O mais importante
é que Moussavi é contra um homem ter mais de uma esposa",
completou sua namorada, Susanne, uma funcionária pública
de 37 anos. "Quer ter outra mulher, vai ter que se divorciar."
Ahmadinejad defende a prática islâmica de o homem poder casar-se
até quatro vezes. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |