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Comícios
tomam Teerã a quatro dias da eleição |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Terça-feira, 9
de junho de 2009
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TEERÃ As manifestações
começaram à tarde e prosseguiram até tarde da noite.
Na madrugada de hoje, ainda se ouviam buzinas dos partidários de
Moussavi, que polarizou com Ahmadinejad nessa reta final da campanha,
embora haja outros dois candidatos: o reformista Mehdi Karroubi, ex-presidente
do Parlamento, que disputa votos com o candidato moderado; e o conservador
Mohsen Rezai, ex-comandante da Guarda Revolucionária, que deve
roubar votos do presidente. Não há pesquisas confiáveis
no Irã, mas tanto os integrantes da campanha de Ahmadinejad quanto
de Moussavi reconhecem que a disputa está acirrada. Se nenhum obtiver
mais da metade dos votos, os dois mais votados vão a segundo turno
no dia 19. Muitos carros na manifestação
pró-Moussavi traziam cartazes com as fotos do candidato e do líder
espiritual do Irã, aiatolá Ali Khamenei, conservador que
apoiou tacitamente Ahmadinejad em sua eleição anterior,
em 2005. Agora, a posição de Khamenei parece mais ambígua.
Há entre os conservadores descontentamento com a retórica
incendiária do presidente, que, em sua propaganda em tom desafiante
do programa nuclear iraniano, e na sua insistência em negar o Holocausto
e o Estado de Israel, tem atraído a hostilidade do Ocidente. Em
qualquer caso, uma candidatura a presidente no Irã não tem
como prosperar sem a aprovação de Khamenei. Usando a cor verde
da campanha do ex-primeiro-ministro, os manifestantes gritavam "Ahmadini-bye-bye"
e "Se não fraudarem, Moussavi já ganhou". Como
noutras manifestações pró-Moussavi, era notável
a participação de mulheres. O ex-primeiro-ministro faz campanha
ao lado de sua mulher, a professora universitária Zaghra Rahnavard,
fato inédito no Irã, e defende direitos iguais para as mulheres.
A presença marcante de Zaghra nos comícios incomodou tanto
que, no debate com Moussavi na semana passada, Ahmadinejad a acusou de
ter forjado suas qualificações num concurso. Zaghra, destituída
do cargo de reitora depois que Ahmadinejad assumiu, disse que vai processar
o presidente. Embora tenha sido
prefeito de Teerã, Ahmadinejad tem mais apoio no meio rural, para
onde levou eletricidade e água, e entre os mais pobres, dos quais
5,5 milhões receberam auxílio em dinheiro do governo. O
governo também distribuiu, nas últimas semanas, empréstimos,
subsídios para moradia e aumentos de salários e aposentadorias
de funcionários públicos. Ônibus vindos do interior
ajudaram a lotar ontem a área ao redor da Grande Mesquita de Mussala,
onde segundo a agência EFE chegaram a se reunir 100 mil pessoas.
O diretor do Conselho
Eleitoral, Kamran Daneshjoo, previu ontem que o comparecimento às
urnas na sexta-feira poderá ultrapassar o recorde de 79,93% de
1997, quando o reformista Mohammad Khatami se elegeu presidente, contra
as expectativas. O alto comparecimento pode mais uma vez beneficiar os
moderados. Moussavi tem apoio predominante entre os jovens, numa população
em que 70% tem menos de 30 anos. São eles que podem ou não
sair para votar, e fazer a diferença. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |