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Iraque quer impulsionar
negócios com o Brasil |
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LOURIVAL SANTANNA |
Domingo, 28 de fevereiro de 2010
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BAGDÁ Mas o potencial é
muito maior. "Acho que o Iraque pode se beneficiar muito com as relações
com o Brasil", diz Wathiq Hindo, diretor do escritório de
Bagdá da Câmara de Comércio e Indústria Brasil
Iraque. "O Brasil tem um estilo de fazer negócios que é
muito aceitável aqui." Os iraquianos demonstram grande conhecimento
dos produtos brasileiros. Quando esteve com o ministro da Defesa, Abdul Qadir al-Obeidi, o embaixador do Brasil no Iraque, Bernardo de Azevedo Brito, não precisou descrever os armamentos exportados pelo Brasil. O ministro começou a elogiar os aviões Tucano da Embraer, os foguetes Astros da Avibrás e os blindados Urutu da Engesa. O interesse iraquiano tem sido demonstrado com visitas ao Brasil de ministros iraquianos importantes, como o do Planejamento, Ali Baban. Em contraste, nenhuma autoridade brasileira visitou o Iraque depois da guerra de 2003. Outros governos têm-se
comportado de outra forma: vieram a Bagdá os ministros das Relações
Exteriores da França (três vezes), da Itália, da Espanha,
de Portugal e da Bélgica, além do presidente da França
e do primeiro-ministro da Austrália, para não falar dos
Estados Unidos e da Grã-Bretanha, diretamente envolvidos na ocupação
do Iraque, e de governantes de países da região. O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva vem à região em meados
de março, para visitar , a Jordânia, Israel e até
a capital palestina de Ramallah, mas não incluiu Bagdá no
seu roteiro. Hindo aposta na vinda de um ministro brasileiro depois das
eleições iraquianas do próximo domingo. As construtoras brasileiras
gozam de bom nome no Iraque, diz o embaixador, graças à
durabilidade das estradas, ferrovias e portos que deixaram no país.
Mas não quiseram voltar, depois do trauma sofrido pela Odebrecht,
com o sequestro e assassinato de um de seus engenheiros, depois da invasão
de 2003. A Petrobrás, por sua vez, descobriu em 1973 um dos mais
importantes campos de petróleo do Iraque, Majnoon ("Louco",
em árabe), mas não participou no ano passado da pré-qualificação
para desenvolvê-lo, aparentemente concentrada no pré-sal.
Atraídas pela segunda maior reserva de petróleo do mundo,
extraído a US$ 1,70 o barril, todas as outras grandes companhias
de petróleo do mundo - mais de 30 - disputam contratos no Iraque. O Brasil importou
US$ 718 milhões em petróleo do Iraque em 2009 e US$ 1,18
bilhão em 2008. Suas exportações diretas para o Iraque
foram apenas US$ 250 milhões no ano passado e US$ 106 milhões
no ano anterior. O restante foi vendido ao Iraque via países vizinhos,
como a Turquia e o Kuwait. O presidente da Câmara
de Comércio e Indústria, o iraquiano Jalal Chaya, há
32 anos no Brasil, conta que reabriu seu escritório dois dias depois
da queda de Saddam Hussein, em abril de 2003. Criada em 1974, a Câmara
havia sido fechada depois que Saddam assumiu, em 1979, centralizando todas
as importações em órgãos do Estado. "Não
havia trabalho para a Câmara", diz ele. Agora, embora a receita
do petróleo continue toda nas mãos do Estado, Chaya acredita
que os negócios privados crescerão. O frango, principal
produto exportado pelo Brasil, por exemplo, é 100% vendido para
empresas privadas. Os negócios
deverão ser impulsionados também pela reabertura da embaixada
do Brasil em Bagdá. O embaixador está baseado em Amã,
na Jordânia, desde que assumiu o posto, em setembro de 2006, por
causa das condições de segurança em Bagdá.
Brito viaja uma vez a cada dois meses para a capital iraquiana, e fica
hospedado em um cubículo no complexo da empresa de segurança
britânica Control Risk. O governo brasileiro
alugou uma casa de 2 mil metros quadrados em Bagdá, que passará
por reformas para aumentar sua segurança - incluindo muros e vidros
especiais -, devendo ficar pronta em setembro. Três jipes foram
comprados e blindados nos Estados Unidos, para resistir a explosões.
O embaixador, outro diplomata e três ou quatro funcionários
administrativos viverão confinados na embaixada, saindo apenas
de dia, no comboio com guardas armados de metralhadoras, para reuniões
de trabalho. O embaixador, de 74
anos, o mais velho do Itamaraty, diz que só aceitou essa missão
depois de aposentado por causa do desafio que ela representa: "Se
me oferecessem qualquer outro posto que não o Iraque, eu estaria
agora numa praia em Florianópolis." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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