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Vida em Bagdá segue difícil, mas melhora é evidente |
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LOURIVAL SANTANNA |
Domingo, 28 de fevereiro de 2010
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BAGDÁ De noite, o temor
de seqüestros e atentados deixa as ruas praticamente desertas. Muitas
lojas, restaurantes e bares fechados durante a invasão de 2003
nunca mais reabriram. No verão, os moradores de Bagdá não
têm mais coragem de deitar-se nas lajes que cobrem suas casas, para
bater papo, tomar chá, cantar e declamar poemas, como faziam antigamente,
com medo de serem atingidos por um disparo ou estilhaço de bomba.
Bagdá perdeu o brilho de metrópole cultural e comercial
pulsante, que tinha até os anos 80. Mas, para quem esteve
aqui na época da guerra de 2003, ou mesmo nas eleições
de 2005, a cidade progrediu de maneira notável. Pelo menos durante
o dia, há uma grande movimentação de gente e de carros
nas ruas; as feiras e mercados atraem muitos consumidores, e muitas lojas
reabriram. Há crianças nas ruas, brincando ou indo para
a escola. Os novos contratos
de exploração de petróleo firmados pelo governo iraquiano
injetam dinheiro na economia, e automóveis caros e casas elegantes
são sinais de alguma prosperidade. Os militares americanos estão
muito menos visíveis, dando lugar a soldados e policiais iraquianos,
recém-treinados, com uniformes e equipamentos novos. A uma semana das eleições parlamentares, que resultarão na nomeação do primeiro-ministro e do presidente, pôsteres com fotos de candidatos, incluindo algumas mulheres, cobrem os muros de Bagdá, dando-lhe uma feição de normalidade. Mas a presença maciça de militares iraquianos nas ruas, com seus jipes Humvee e seus fuzis Kalashnikov e M-4, assim como os dirigíveis brancos no céu, usados pelos americanos para vigiar os movimentos dos inimigos, servem para lembrar que Bagdá ainda está muito longe de ser uma cidade como outra qualquer. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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