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Atentados no Iraque
matam 33 |
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LOURIVAL SANTANNA |
Quinta-feira, 4 de março de 2010
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BAGDÁ O primeiro carro-bomba
explodiu perto de uma delegacia de polícia às 9h45 (3h45
em Brasilia). A explosão destruiu um edifício ao lado da
delegacia. Minutos mais tarde, um suicida detonou explosivos dentro do
carro em que estava perto da sede do governo da província de Diyala,
da qual Baqubah é a capital. O escritório do Movimento de
Reforma Nacional, partido xiita do ex-primeiro-ministro Ibrahim Jaafari,
ficou destruído. Logo depois do segundo
atentado, numa demonstração impressionante de coordenação,
outro suicida, dessa vez a pé, detonou explosivos perto da entrada
para o pronto-socorro do principal hospital da cidade, no momento em que
o comandante da polícia em Diyala entrava para visitar os policiais
feridos. As autoridades decretaram toque de recolher em Baqubah. A Al-Qaeda, de orientação
sunita, afirma lutar contra o domínio xiita no Iraque, que segundo
ela será consolidado nessas eleições. Os xiitas representam
cerca de dois terços dos iraquianos e os sunitas, praticamente
o outro terço (há uma pequena minoria cristã no norte,
que também tem sido alvo de ataques). Panfletos distribuídos
em bairros sunitas advertem os moradores a não comparecer na votação,
que começa hoje com militares e policiais, e continua no domingo
com os civis. A violência
sectária, que havia diminuído, embora não acabado
no Iraque, recrudesceu nas últimas semanas, com a aproximação
das eleições, que formarão um novo Parlamento, que
por sua vez escolherá o primeiro-ministro e o presidente. No dia
25 de janeiro, três carros-bombas explodiram simultaneamente na
área central de Bagdá, perto de três hotéis
que hospedam estrangeiros, matando 36 pessoas. No dia seguinte, uma bomba
explodiu diante do equivalente ao Instituto Médico Legal, deixando
38 mortos. Uma semana depois, uma mulher se explodiu perto de peregrinos
xiitas no norte de Bagdá, matando 41 pessoas. Em dezembro, quatro
bombas explodiram perto de locais ligados à educação
e edifícios da Justiça no centro de Bagdá, matando
127 pessoas. Mas o maior atentado ocorreu em outubro, quando dois carros-bomba
explodiram ao mesmo tempo, atingiram três edifícios do governo
e deixaram 155 mortos. Muitos iraquianos
acreditam, no entanto, que por trás desses atentados estejam não
grupos sectários como a Al-Qaeda e os radicais xiitas, mas adversários
políticos do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, interessados em
tirar dele o maior trunfo nessa eleição - o de ter diminuído
a violência. Os atentados, porém, põem em risco não
só as eleições, mas também os planos do presidente
Barack Obama de diminuir de 100 mil para 50 mil o número de soldados
americanos no Iraque até agosto, e de concluir a retirada no fim
do ano que vem. O governo americano
planeja mudar a missão dos soldados restantes de combate para treinamento
de militares iraquianos. A ideia é formalizar a nova missão
com a troca de nome, prevista para 1 de setembro, de Operação
Liberdade Iraquiana para Novo Amanhecer. Os militares iraquianos já
somam 197 mil. Nas ruas de Bagdá, não se vêem soldados
americanos, que ainda patrulham estradas e regiões do interior
do país. Além dos militares iraquianos, as ruas da capital
são fortemente guardadas por policiais. Na região central,
a cada centenas de metros o motorista depara com um bloqueio militar ou
policial. Somados aos constantes comboios, que suspendem o tráfego,
eles criam enormes congestionamentos. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |