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Novos ataques matam
17 e ampliam temores sobre eleição iraquiana |
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LOURIVAL SANTANNA |
Sexta-feira, 5 de março de 2010
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BAGDÁ A Al-Qaeda no Iraque
prometeu tentar perturbar as eleições, que segundo o grupo
radical sunita consolidarão o poder da maioria xiita sobre o país.
Os policiais e soldados foram votar ontem para garantir a segurança
no dia normal de eleição. No primeiro ataque,
um foguete Katyusha caiu perto de uma seção eleitoral no
bairro de Hurriyah, matando sete pessoas. Depois um suicida detonou os
explosivos que trazia no corpo perto de uma fila de soldados que esperavam
para votar, no bairro de classe média alta de Mansour, matando
6 e ferindo 18. Outro suicida se explodiu na região central de
Bagdá perto de uma fila de soldados, matando 4 e deixando 14 feridos. Apesar dos ataques,
os policiais e militares compareceram em massa para votar em Bagdá
e noutros pontos do país. Eles vinham a pé ou desciam de
ônibus e caminhões antes dos rígidos bloqueios militares
que cercam as seções eleitorais, caminhando em grupo. Mesmo
fardados, eles eram revistados por policiais antes de entrar nos locais
de votação. "O suicida que se explodiu ontem em Baqubah
usava uniforme da polícia", justificou o policial Aziz Hamod,
referindo-se a um dos três atentados ocorridos na quarta-feira na
cidade a 60 km ao norte de Bagdá, que mataram 33 pessoas. Tanto os policiais
quanto os militares expressam aspirações parecidas com as
dos demais eleitores, pedindo mais segurança e a restauração
de serviços básicos, como eletricidade e água, que
desde a invasão de 2003 continuam precários. Mas há
também reivindicações específicas. "Precisamos trabalhar
menos e ter mais tempo com nossas famílias", disse o sargento
Abbas al-Majidi, de 35 anos, depois de votar na Escola Omar al-Mokhtar,
na região central de Bagdá. O sargento disse que trabalha
15 dias direto, dormindo no quartel, e só depois pode ir para sua
casa em Bagdá, para 5 dias de folga. "Se tivermos mais soldados,
poderemos trabalhar menos." As Forças Armadas iraquianas têm
hoje 197 mil homens. Esse número deve aumentar. O contingente americano
no Iraque está sendo reduzido de 100 mil para 50 mil homens até
agosto, e a missão dos que ficarem será treinar soldados
iraquianos. Al-Majidi não
se queixa do salário de 1,3 milhão de dinares iraquianos,
o equivalente a US$ 1.106, valor relativamente alto para os padrões
iraquianos. Já o policial Ahmed al-Khleifawi, de 48 anos, que ganha
675 mil dinares iraquianos (US$ 574), diz: "Precisamos de bons salários,
de melhor treinamento e equipamento. Há policiais que nunca tiveram
chance de fazer capacitação." Saad Mehdi, de 32
anos, funcionário da prefeitura de Bagdá encarregado de
trabalhar na seção eleitoral, disse que se sentia seguro,
apesar das ameaças dos grupos radicais contra a realização
das eleições. À pergunta sobre se seus vizinhos da
periferia sul de Bagdá sabiam que ele trabalhava nas eleições,
Mehdi respondeu: "Se você me perguntasse isso dois anos atrás,
eu diria que não. Mas hoje em dia, sim. Há dois dias foram
enviadas mais tropas para proteger todas as seções eleitorais,
e acho que estão seguras." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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