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Partido de Saddam
ainda é maior ameaça à paz |
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LOURIVAL SANTANNA |
Domingo, 7 de março de 2010
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BAGDÁ "Os iraquianos
devem temer o Baath, não a Al-Qaeda", diz o cientista político
Hamid Fadhil, da Universidade de Bagdá. "Há muitos
baathistas infiltrados nos órgãos do Estado. Além
disso, eles têm muitas conexões nos países árabes
e na mídia." Para Fadhil, a estabilidade do Iraque depende
da reintegração dos baathistas no poder. "É impossível
eliminar a influência do Baath", concorda Hazim al-Nuaimi,
professor de ciência política da Universidade Mustansiriyah.
"A ideologia deles está disseminada, e não se pode
controlar o pensamento das pessoas." Nuaimi, de 60 anos, não
tem razões para gostar do Baath. Por opor-se a Saddam, ele só
pôde ser contratado pela universidade depois da queda do regime
em 2003. Fadhil, contratado em 2000, conta que preencheu um questionário
afirmando que era filiado ao Baath, mas na verdade nunca assinou a ficha
de filiação. O primeiro decreto
de Paul Bremer, o administrador civil americano, depois da deposição
de Saddam, em 2003, foi o expurgo dos membros do Partido Baath do governo
e das forças de segurança. Isso equivaleu a eliminar, numa
canetada, toda a burocracia e o aparato de defesa e manutenção
da ordem do país, já que ninguém podia exercer essas
funções sem ser filiado ao Baath, que governava o Iraque
desde os anos 60. Os americanos compreenderam
o erro, e o governo do presidente Barack Obama defende a reintegração
dos baathistas. Mas a chamada "desbaathificação"
continua sendo usada como arma política. Uma comissão do
Parlamento liderada por deputados xiitas da Aliança Nacional Iraquiana
baniu cerca de 500 candidatos por supostamente ter pertencido ao Baath.
A medida foi apoiada pelo governo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki,
também beneficiado com a eliminação dos oponentes.
"O banimento
é necessário", disse ao Estado Saad al-Muttalibi, vice-ministro
interino do Diálogo e da Reconciliação e candidato
a deputado pela chapa de Maliki. "As feridas causadas pelos baathistas
ainda estão sangrando. Eles estão envolvidos, de uma forma
ou de outra, em toda a violência em Bagdá. É muito
perigoso permitir que atuem na política." No Parlamento, Muttalibi
culpa os baathistas pela não aprovação de uma nova
Lei de Hidrocarbonetos, para atrair investimentos na exploração
de petróleo. A lei atual, que impôs a nacionalização
do petróleo em 1972, é de autoria do Baath. Por causa dela,
o governo só pode firmar com as companhias de petróleo contratos
de serviços, remunerando-as pela exploração, e não
dividindo os resultados da produção, como prefere o mercado. A deputada Aliya Jassem,
da aliança Al-Iraqiya, que abriga ex-baathistas, nega que eles
tenham impedido a aprovação de uma nova lei. "Não
somos contra mudar a lei", disse ela. "Precisamos de uma nova
lei para garantir investimentos externos. O que queremos é garantir
que os contratos com as multinacionais sejam transparentes, com regras
claras, e não firmados debaixo do pano." "O Baath governou
este pais por mais de 40 anos", argumentou a deputada. "É
impossível não lidar com eles. Não podemos exportar
o povo iraquiano. Precisamos separar os ex-baathistas criminosos dos inocentes,
e punir todos os criminosos, não só baathistas." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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