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Partidos deverão
formar coalizão |
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LOURIVAL SANTANNA |
Domingo, 7 de março de 2010
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BAGDÁ Uma coalizão
possível - embora um tanto paradoxal ideologicamente - é
entre o bloco Al-Iraqiya, do ex-primeiro-ministro Ayad Allawi, um xiita
secular associado a sunitas também seculares, e a Aliança
Nacional Iraquiana (INA), formada por xiitas sectários apoiados
pelo Irã. Allawi opõe-se à influência iraniana
sobre o Iraque e é acusado de ligações com os Estados
Unidos, com as monarquias árabes do Golfo Pérsico e com
o Egito. "Não descartamos nenhuma composição",
disse ao Estado a porta-voz da Al-Iraqiya, Maysoon al-Damalouji.
"Tudo está em aberto." A aliança trabalha
com uma pesquisa feita pelo Instituto Nacional Democrata, dos EUA, que
segundo Maysoon atribui 29% dos votos à Al-Iraqiya, 16% para a
INA e outros 16% para a aliança Estado de Direito, liderada pelo
primeiro-ministro Nuri al-Maliki. A deputada Aliya Jassem, da Al-Iraqiya,
estima que a aliança elegerá cerca de 100 deputados no novo
Parlamento de 325 cadeiras. Já o candidato
a deputado Saad al-Muttalibi, do Partido Dawa, de Maliki, afirma que as
pesquisas encomendadas pela legenda indicam 40% dos votos para a Estado
de Direito e 13% para a Al-Iraqiya. Mas Muttalibi, vice-ministro do Diálogo
e da Reconciliação, admite que os dados se restringem a
Bagdá, e o resultado é imprevisível. Hamid Fadhil, professor
de ciência política na Universidade de Bagdá, acha
mais provável uma aliança da INA com Maliki do que com Allawi.
Os grupos xiitas sectários da INA foram parceiros de Maliki na
coalizão de governo. O primeiro-ministro, cujo Partido Dawa também
é de origem islâmica xiita, rompeu com a INA no esforço
de se tornar um líder nacional, não sectário. Mas
a sua nova aliança não atraiu políticos seculares
de expressão, nem xiitas nem sunitas. Em contrapartida,
a Al-Iraqiya conta com o vice-presidente sunita Tareq al-Hashemi e o deputado
Saleh al-Mutlaq, também sunita, cuja candidatura foi rejeitada
pelo Comitê de Transparência e Justiça do Parlamento,
por ele ter pertencido ao Partido Baath, de Saddam Hussein. O comitê
é liderado por dois integrantes da INA, entre eles Ahmed Chalabi,
ex-aliado dos EUA, que mudou de lado e agora recebe apoio do Irã. Mesmo com todas essas
incompatibilidades, não se descartam alianças entre nenhum
desses grupos. Além de Allawi e do próprio Maliki, outros
nomes citados para o cargo de premiê são os ministros do
Petróleo, Hussein al-Shahristani, e do Interior, Jawad Bolani,
ambos xiitas seculares. Shahristani destacou-se
pelo aumento da produção de petróleo, de 500 mil
barris por dia para 2 milhões (a meta é chegar a 12 milhões
nos próximos anos), graças à assinatura de contratos
de exploração com multinacionais, apesar das restrições
da antiga lei de nacionalização, que só permite contratos
de serviços, menos atraentes que os de partilha. O ministro lamentou
ao Estado a ausência da Petrobrás nos leilões,
mas reconheceu que a estatal brasileira "tem outros interesses",
referindo-se ao pré-sal. Bolani, engenheiro
aeronáutico recém-ingressado na política, é
considerado alternativa a Maliki, desgastado pela corrupção
e ineficiência do governo. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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