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Atentados matam
40 e ferem mais de 100 em dia de eleição no Iraque |
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LOURIVAL SANTANNA |
Segunda-feira, 8 de março de 2010
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BAGDÁ Não foram divulgados
resultados nem dados nacionais de comparecimento. Mas, segundo os números
apresentados pelas autoridades regionais, ele foi alto nas províncias
que concentram a população sunita, que boicotou as eleições
parlamentares de dezembro de 2005. Em Diyala, reduto da Al-Qaeda, o comparecimento
foi de 90%; em Anbar, antigo reduto do grupo terrorista, 64%; em Salahedin,
62%, e em Ninive, 65%. Curiosamente, a participação
foi menor nas províncias de maioria xiita: de 46% a 64%, informou
a France Presse. Em Kirkuk, disputada entre árabes e curdos, 70%
dos eleitores foram votar. Em 2005, o comparecimento atingiu 79,6% na
média nacional. Os ataques começaram
antes das 7 horas em Bagdá (1 hora em Brasília), quando
as urnas abriram. Por volta de 8h30, as explosões alcançavam
uma média de quatro por minuto, no raio de distância em que
podiam ser ouvidas do Hotel Al-Mansour, na região central de Bagdá.
Os morteiros e foguetes tinham como alvo a chamada Zona Verde, onde se
concentram edifícios do governo, o comando militar americano e
embaixadas importantes como a dos Estados Unidos. Os atentados a bomba
atingiram tanto bairros xiitas quanto sunitas. A sua autoria não
ficou clara, como tem acontecido desde o recrudescimento dos atentados,
no ano passado. O "Estado Islâmico do Iraque", como a
Al-Qaeda se autodenomina, havia anunciado na sexta-feira um "toque
de recolher" para ontem, advertindo, em seu site na internet: "Quem
o desafiar se exporá à fúria de Alá e a todos
os tipos de armas dos mujaheddin (combatentes da guerra santa)."
O grupo sunita considera as eleições de ontem a consolidação
do domínio do Iraque pela maioria xiita. Mas muitos iraquianos
acreditam que pelo menos parte desses ataques - como vinha ocorrendo nos
últimos meses - pode ter sido perpetrada por inimigos políticos
do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, cujo grande trunfo nas eleições
provinciais de janeiro do ano passado, que sua aliança venceu,
foi a redução da violência. No maior atentado
de ontem, uma bomba aparentemente colocada num apartamento térreo
demoliu um edifício residencial de três andares no bairro
de Ur, no leste de Bagdá, matando 25 pessoas. No mesmo bairro,
atentado semelhante matou outras quatro pessoas. Em ações
aparentemente coordenadas, houve um intervalo de meia hora entre as duas
explosões, que ocorreram antes das 8 horas. No bairro de Shurta,
oeste da cidade, outra explosão semelhante também destruiu
um edifício, matando 7 pessoas e ferindo 16. Três eleitores
foram mortos no bairro xiita de Hurriyah por uma granada lançada
por um homem perto de uma seção eleitoral. Já um
morteiro matou três pessoas na parte oeste da cidade, segundo fontes
policiais citadas pelas agências internacionais. Os disparos e explosões em Bagdá, que tinham o claro objetivo de intimidar os eleitores, diminuíram por volta do meio-dia e praticamente desapareceram à tarde. Pela manhã, os bloqueios militares e policiais não permitiam a passagem de praticamente nenhum carro civil a não ser ambulâncias. As ruas ficaram semidesertas. Os eleitores que se aventuraram a sair de casa tiveram de ir votar a pé. À tarde, a
circulação de veículos foi liberada, e o comparecimento
às urnas se intensificou. De acordo com a Alta Comissão
Eleitoral Independente, os ataques causaram o fechamento de apenas duas
seções eleitorais, por um breve período. "Esses atos não
minarão a vontade do povo iraquiano", disse Maliki, ainda
pela manhã. "Este dia significa para nós completar
a construção da democracia, do processo político,
tendo como alicerce nossos cidadãos." "Hoje é
um dia épico", celebrou o dirigente do grupo sectário
xiita Conselho Supremo Islâmico Iraquiano (ISCI), Amr al-Hakim,
um dos principais rivais de Maliki, também xiita, nessas eleições.
"É o chamado da consciência, da pátria e da marjaiya
(liderança espiritual xiita)." Seu antigo rival e
atual parceiro na Aliança Nacional Iraquiana, o clérigo
Moqtada al-Sadr, exortou: "Embora eleições sob a sombra
da ocupação não sejam legítimas, peço
ao povo iraquiano que participe como ato de resistência política,
para que o terreno seja preparado para os ocupantes deixarem o Iraque." Do sucesso dessas
eleições depende a retirada americana do Iraque, promessa
de campanha do presidente Barack Obama. O plano prevê a redução
de 100 mil para 50 mil soldados até agosto, e a total retirada
até o fim do ano que vem. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |