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Sunitas mandam recado à Al-Qaeda com participação massiva às urnas |
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LOURIVAL SANTANNA |
Segunda-feira, 8 de março de 2010
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BAGDÁ O desafio à
Al-Qaeda é evidente: ao anunciar o "toque de recolher"
para o dia da eleição, o grupo sunita enfatizou que ele
se aplicava em especial aos sunitas, que seriam punidos se participassem
de uma eleição que consagraria o domínio da maioria
xiita sobre o Iraque. Traumatizados com
as consequências do boicote de dezembro de 2005, que em vez de deslegitimar
as eleições reforçaram de maneira desproporcional
a representação xiita, os sunitas desta vez parecem ter
preferido o risco da punição da Al-Qaeda ao ostracismo político.
Levados pelo pragmatismo,
os sunitas tendiam a despejar seus votos na aliança Al-Iraqiya,
liderada pelo xiita Allawi. A aliança é formada por 11 partidos
xiitas, 10 sunitas e 1 turcomano. Todos de orientação secular,
ou seja, defensores de um Iraque no qual essas distinções
sectárias não sejam utilizadas politicamente. Maliki, de sua parte,
sai perdendo porque, embora tenha tentado, não conseguiu, nessa
campanha, elevar-se à condição de líder nacional,
acima das divisões sectárias. A coalizão Estado de
Direito, liderada pelo seu partido Dawa, de origem islâmica xiita,
não atraiu líderes seculares sunitas nem xiitas de peso,
e gravita em torno de seu próprio nome. Já a outra
grande frente sectária xiita, a Aliança Nacional Iraquiana,
está composta de grupos heterogêneos demais para se manter
forte e coesa depois das eleições. Antes da votação,
nenhuma aliança, nem mesmo a Al-Iraqiya, esperava obter maioria
absoluta no Parlamento. Isso significa que às eleições
se seguirão negociações para um governo de coalizão.
Esse será um
processo penoso e possivelmente desestabilizador. O vácuo de poder
deixado pela transição, sobretudo se o primeiro-ministro
sair enfraquecido das urnas, pode resultar num recrudescimento da violência
sectária, como aconteceu em 2006, quando o desempenho insatisfatório
do primeiro-ministro Ibrahim al-Jaafari levou a um desgaste de meses,
até que ele fosse substituído por Maliki. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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