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Atraso em apuração
causa suspeita no Iraque |
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LOURIVAL SANTANNA |
Quarta-feira, 10 de março de 2010
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SAMARRA, IRAQUE Os eleitores sunitas,
que se concentram em Bagdá, no centro-norte e no oeste do país
compareceram maciçamente às urnas e votaram na coalizão
Al-Iraqiya, liderada pelo ex-primeiro-ministro xiita Ayad Allawi, que
reúne 11 partidos xiitas, 10 sunitas e 1 turcomano, todos seculares.
"Allawi venceu as eleições, mas isso não quer
dizer que vá governar, porque não sabemos o que acontece
nas salas fechadas onde contam os votos", disse Yousif Abd Darraji,
dono de uma construtora em Samarra, 125 km ao norte de Bagdá. Muitos eleitores sunitas
se queixaram de que, no dia da votação, seus nomes não
estavam nas seções eleitorais e por isso não puderam
votar. Eles dizem que não entendem como seus nomes podem constar
de listas do governo, como a da cesta básica distribuída
a todos os iraquianos - uma tradição da época de
Saddam Hussein - e não nas das seções eleitorais.
A maior rigidez na
identificação dos eleitores, aliada aos atentados do dia
da eleição, que deixaram 38 mortos e mais de 100 feridos
em Bagdá, é uma das explicações para o comparecimento
menor do que nas primeiras eleições parlamentares, de dezembro
de 2005 - respectivamente, 62% e 75%. Os eleitores de Allawi desconfiam
que os atentados do domingo foram executados por grupos ligados a Maliki,
para evitar que eles votassem. As suspeitas sobre
o processo eleitoral já foram lançadas antes das eleições.
Na quinta-feira, a deputada Aliya Jassem, da Al-Iraqiya, previu que a
aliança obteria mais de 100 das 325 cadeiras do Parlamento - que
elegerá o primeiro-ministro e o presidente -, mas ressalvou várias
vezes, ao longo da entrevista ao Estado: "Se interferirem
nos resultados, veremos quantas cadeiras nos darão." Funcionários
de diferentes coalizões ouvidas pelas agências de notícias
reconheceram que Maliki tinha saído na frente na contagem. Representantes
da aliança Estado de Direito, liderada pelo primeiro-ministro,
afirmaram que ela estava ganhando em 9 das 18 províncias do país
- em especial em Bagdá e no sul, onde se concentram os eleitores
xiitas. Não há pesquisas de opinião abrangentes ou
confiáveis no Iraque. Tanto os partidários de Allawi quanto de Maliki admitem que nenhum bloco obterá maioria absoluta no Parlamento, e terá de ser formado governo de coalizão. Aparentemente, o fiel da balança será a Aliança Nacional Iraquiana, que reúne grupos xiitas radicais, que apoiavam o governo, até que Maliki rompeu com eles para construir um perfil mais secular na sua candidatura à reeleição. O primeiro-ministro tem como trunfo a diminuição da violência sectária a partir de 2008, mas é criticado porque não conseguiu debelar a corrupção, recuperar os serviços básicos, como eletricidade e água, e gerar empregos. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |