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Alianças
xiitas devem formar governo |
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LOURIVAL SANTANNA |
Quinta-feira, 11 de março de 2010
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BAQUBAH, IRAQUE Em entrevista ao Estado, na sede do governo em Baqubah, 60 km ao norte de Bagdá, o governador afirmou ser impossível um governo de coalizão entre as duas principais alianças seculares que emergem dessas eleições: Estado de Direito, liderada por Maliki, e Al-Iraqiya, do ex-primeiro-ministro Ayad Allawi. Ambos são xiitas, mas defendem a separação entre política e religião. Além delas, as duas outras principais forças do novo Parlamento de 325 cadeiras deverão ser a Aliança Nacional Iraquiana (INA), formada por grupos xiitas sectários, e os dois partidos curdos, que atuam como uma frente no Parlamento. O ISCI, liderado pelo clérigo xiita Ammar al-Hakim, é um dos principais membros da INA. O outro é o grupo de Moqtada al-Sadr, também clérigo xiita e até recentemente inimigo de Hakim. Segundo o governador, a votação da aliança Estado de Direito parece ter sido mais expressiva que a da Al-Iraqiya, e a tendência é a de uma coalizão entre o grupo do primeiro-ministro e o de Hakim. Nesse caso, a INA deve cindir-se, porque Al-Sadr, cuja milícia Exército Mehdi foi derrotada em 2008 pelas Forças Armadas iraquianas, não aceita unir-se ao governo. Hakim já participa do governo atual de Maliki, embora ambos tenham concorrido separadamente. O primeiro-ministro
tem tentado imprimir uma imagem de político não-sectário,
deixando para trás o passado sectário de seu partido xiita,
Dawa. Sua aliança não conseguiu aglutinar forças
seculares de peso, mas parece ter tido votação maciça
da maioria xiita, que representa dois terços da população
iraquiana e se concentra em Bagdá e no sul do país. A Al-Iraqiya formou uma forte aliança secular entre 11 partidos xiitas e 10 sunitas. Nas províncias de Anbar (oeste), Diyala e Salah el-Din (norte), percorridas pelo Estado nos últimos três dias, a maioria sunita votou em peso na Al-Iraqiya. Mahmud, que antes de ser eleito governador em janeiro do ano passado era professor de direitos humanos e liberdade na Universidade de Diyala, não escondeu sua frustração com o mau desempenho de seu partido, Tawafuq, que pertence ao Acordo Iraquiano, uma aliança predominantemente sunita. Essas eleições
parecem ter sedimentado entre os sunitas, que representam um terço
dos iraquianos, o fato consumado de que o Iraque será governado
por um primeiro-ministro xiita, e é melhor que ele seja secular,
e apoiado por partidos não-sectários, tanto xiitas quanto
sunitas. É o que representam Allawi e a aliança Al-Iraqiya.
Os sunitas boicotaram as eleições anteriores, de dezembro
de 2005, e viram sua representação política prejudicada. Mas todos esses cálculos
ainda precisam ser confirmados pelo resultado das urnas. A demora causa
tensões e aprofunda suspeitas entre os oposicionistas, sobretudo
da Al-Iraqiya, de que poderia haver fraude em favor do governo. "Os iraquianos
têm o direito de saber o resultado o mais rápido possível",
disse o representante especial da ONU no Iraque, o holandês Ad Melkert,
em entrevista coletiva ontem de manhã em Bagdá. "A
contagem dos votos segue um bom ritmo, mas é complicada, porque
precisa ser feita duas vezes", justificou Melkert. "Estou confiante
de que amanhã (hoje) haverá resultados preliminares."
Melkert exortou os partidos: "Esse é um processo honesto.
É muito importante que os resultados sejam aceitos por todos." "Eleições
sempre levam a vencedores e a perdedores relativos, mas todos fazem parte
delas", continuou Melkert, procurando afastar os temores de que os
perdedores reajam violentamente. "Peço respeito mútuo,
que foi o espírito dessa eleição. Dessa maneira,
o Iraque poderá continuar avançando. Estamos muito orgulhosos
de participar desse processo", assegurou o representante da ONU. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |