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Oposição
iraquiana põe eleição sob suspeita |
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LOURIVAL SANTANNA |
Sexta-feira, 12 de março de 2010
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BAGDÁ A aliança Estado
de Direito, liderada pelo primeiro-ministro xiita, vencia com 42% dos
votos em Babil e com 47% em Najaf. A Aliança Nacional Iraquiana
(INA), formada por dois clérigos xiitas antes rivais, vinha em
segundo lugar; em terceiro, a aliança Al-Iraqiya, de orientação
secular, do ex-primeiro-ministro Ayad Allawi, que reúne xiitas
e sunitas não sectários. "Pelo que se
sabe até agora, a composição para a formação
de governo mais provável é entre Estado de Direito e INA,
com Al-Iraqiya liderando a oposição, mas é cedo para
fazer previsões", disse ao Estado o analista político
Sadeq al-Musawi, editor-executivo do Iraqi Media Center, grupo estatal
de comunicação. A Al-Iraqiya foi bem votada nas províncias
de maioria sunita no centro-norte e oeste do país. Mas os sunitas
representam um terço da população e os xiitas, os
outros dois terços. "Esses resultados
de Najaf e Babil não batem com os números que levantamos
por intermédio de nossos delegados nos centros de apuração",
afirmou Nabil Mohammed, candidato a deputado pela Al-Iraqiya e professor
de ciência política da Universidade de Bagdá. "Pelos
números que temos, a Al-Iraqiya está na frente." Mohammed
disse ao Estado que 60% dos votos já tinham sido contados
até ontem às 20 horas (14 horas em Brasília). Pelas
normas, os resultados devem ser anunciados quando a contagem atinge 30%
dos votos em cada província. À pergunta sobre por que eles
não tinham sido divulgados, Mohammed respondeu que não sabia. "Em todos os
países os resultados são anunciados dois dias depois da
votação. Só no Iraque demora tanto tempo", disse
Musawi. Segundo ele, os funcionários iraquianos da Comissão
Eleitoral não sabem operar o software de apuração,
fornecido pela Missão das Nações Unidas no Iraque
(Unami). A chefe da equipe da Unami que supervisiona o processo eleitoral,
Sandra Mitchell, é americana. Isso gerou rumores de que os Estados
Unidos estariam pretendendo manipular a contagem em favor da Al-Iraqiya
e de outros partidos pelos quais têm preferência. Por causa disso, um
grupo de deputados da INA procurou ontem o diretor da Comissão
Eleitoral, Haidar al-Eibadi, e exigiu que os resultados sejam publicados
no site do órgão antes de serem jogados no software fornecido
pela Unami, para que possa haver um controle externo sobre a apuração.
A reivindicação levou à divulgação
dos primeiros resultados de Najaf e Babil. Enquanto números
mais abrangentes não saem, os partidos se movimentam visando a
composição do próximo governo. Segundo Mohammed,
há negociações em curso entre a Al-Iraqiya e a INA.
Ele descartou a possibilidade de uma aliança entre o grupo de Allawi
e o do primeiro-ministro Maliki: "Os dois querem encabeçar
um futuro governo." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |