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Maré humana
no enterro de Arafat: confusão, tiros e feridos |
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LOURIVAL SANTANNA |
Sábado,
13 de novembro de 2004
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RAMALLAH -
Eram 14h10 em
Ramallah (10h10 em Brasília) quando um homem de camisa azul em
As 20 mil pessoas
que se concentravam dentro e fora da Muqata, o semidestruído quartel-general
no qual Yasser Arafat ficou confinado nos últimos três anos,
começaram a gritar mais forte: La-elaha-el-Allah (só
existe um Deus, Alá). Os helicópteros cruzaram o céu
na direção oeste, deram De repente, os dois
helicópteros beges ressurgiram de trás dos prédios
no flanco sul, num vôo rasante que espalhou galhos de árvores
e poeira dos terrenos baldios, e incendiou a multidão: Abu Ammar
(pai Ammar, seu nome de guerra dos tempos da luta armada), como Arafat
é carinhosamente chamado, estava voltando para sua terra. Foi o
segundo retorno de Arafat. No Os helicópteros
beges aterrisaram cautelosamente sobre o chão de terra da Muqata,
enquanto a multidão, hesitante, abria uma clareira. Mal haviam
pousado, e com as hélices ainda girando, a multidão avançou
de novo, pronta para arrancar o caixão de dentro. A porta se abriu
e Saeb Vários milicanos
traziam nos ombros granadas propelidas por foguetes. Um grupo de homens
com túnicas pretas e capuzes circulava pela Muqata empunhando espadas,
num ritual particular. A chegada do corpo
foi precisamente calculada para ocorrer meia hora antes da oração
das 14h45, a terceira das cinco preces do dia, de modo a dar tempo para
uma cerimônia fúnebre. Ontem foi a última sexta-feira
do Ramadã, o mês sagrado muçulmano, que, quando coincide
de ter cinco A presença
da multidão dentro do complexo tornou impossível realizar
a cerimônia como planejado. O caixão foi levado para o túmulo,
os que conseguiram rodeá-lo lançaram sobre ele suas coroas
de flores e o muezzin (sacerdote) entoou uma oração. Os milicianos armados saíram em grupos de cinco ou seis, ainda disparando para o alto e olhando para todos os lados enquanto desapareciam entre as ruas de Ramallah. A multidão foi-se retirando lentamente, embora continuasse a procissão e a vigília dos que só agora conseguiam se aproximar do túmulo. Arafat teria gostado de seu funeral? Erekat, um velho amigo do líder palestino, acredita que sim: Ele tinha um lado formal, mas tinha também uma ligação muito forte com o povo, afirmou. Ele teria adorado essa manifestação espontânea. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |