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Sharon
respira, move mão e perna |
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LOURIVAL SANTANNA |
Terça-feira,
10 de janeiro de 2006
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JERUSALÉM "São sinais
muito positivos, porque significam que o tronco cerebral dele está
funcionando", disse o diretor do Hospital Hadassah, Shlomo Mor-Yosef,
em briefing aos jornalistas às 17h em Jerusalém (13h em
Brasília). O tronco cerebral, que divide os dois hemisférios
do cérebro, é o responsável pela capacidade cognitiva
e pelos movimentos voluntários. Quando ele pára de funcionar,
a vida se torna vegetativa. Os médicos
começaram a reduzir a dose de anestesia em Sharon por volta das
10h, depois de exames confirmarem que seu cérebro estava bem drenado
da hemorragia ocorrida na quarta-feira e a pressão cerebral estava
normal. Imediatamente, segundo o diretor do hospital, Sharon começou
a respirar espontaneamente, embora continuasse conectado a aparelhos,
e seguiu assim por cerca de sete horas, pelo menos até o briefing.
"O estado dele ainda é grave e crítico", fez questão
de ressaltar Mor-Yosef, como sempre faz nos seus briefings diários. De acordo com o médico,
o plano era continuar a reduzir a dosagem de anastésicos nas 24
horas seguintes, e avaliar as reações de Sharon a estímulos.
O chefe do Departamento de Neurocirurgia do hospital, Félix Umansky,
que participou do briefing, recusou-se a especular sobre a extensão
do dano causado pelo derrame ao cérebro e a prever como Sharon
voltará do coma (ver ao lado). Nem antecipou em quanto tempo se
terão essas respostas. Umansky disse que
a equipe não esperava mais do que o resultado que vem sendo obtido:
"Não é um paciente jovem. Ficou sob quatro dias de
anestesia. Passou por três operações difíceis.
Nessas condições, o quadro é positivo." Segundo
ele, se os sinais continuarem nessa direção, indicarão
que Sharon poderá viver "por conta própria", ou
seja, sem o auxílio de aparelhos. À pergunta sobre as porcentagens
de chances do primeiro-ministro, Umansky respondeu: "Não trabalhamos
com porcentagens, mas com realidade." Sharon foi substituído interinamente por seu vice, Ehud Olmert, de 60 anos, que acumula o cargo de ministro das Finanças. Uma vez confirmada a saída de Sharon da cena política, o que é considerado certo em Israel, Olmert parece o mais cotado para liderar o partido Kadima (Adiante). Criado por Sharon
em novembro, depois das resistências de seu partido, Likud, à
retirada israelense da Faixa de Gaza, o Kadima reúne dissidentes
da agremiação de direita e do Partido Trabalhista, liderados
pelo ex-primeiro-ministro Shimon Peres, de 82 anos. Segundo pesquisas
realizadas depois do derrame de Sharon, o Kadima deve ser o mais bem votado
nas eleições parlamentares de 28 de março, obtendo
um terço das 120 cadeiras da Knesset. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |