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Egito
adota medidas para isolar Hamas |
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LOURIVAL SANTANNA |
Quarta-feira,
20 de junho de 2007
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GAZA Em mais um passo rumo
ao isolamento da Faixa de Gaza controlada pelo grupo fundamentalista Hamas,
o governo egípcio anunciou ontem que vai transferir sua embaixada
de Gaza para Ramallah, na Cisjordânia. O Cairo já havia chamado
de volta sua delegação que tentava mediar o conflito entre
o Hamas e a facção secular Fatah e declarado ser contra
o estabelecimento de um governo separado na Faixa de Gaza. Apesar do comunicado
oficial divulgado pelas agências de notícias, o porta-voz
do Hamas, Sami Abu Zuhri, negou que o Egito estivesse transferindo sua
embaixada de Gaza, instalada há 15 anos, antes mesmo de a Autoridade
Palestina estabelecer-se na cidade, em 1994. Abu Zuhri também negou
que o Egito tenha cortado todas as ligações com o Hamas.
Segundo ele, o chefe do serviço de inteligência egípcio,
general Omar Suleiman, continua em contato com Khaled Mashaal, líder
do Hamas baseado em Damasco. Outro dirigente do
Hamas, Khalil al-Hayah, disse ontem que o movimento está pronto
para retomar negociações com o Fatah para resolver a crise.
"Antes de qualquer diálogo, o Hamas tem de retirar seus homens
armados de todos os lugares que eles ocuparam e devolver o poder para
a autoridade legítima", condicionou o porta-voz da Autoridade
Palestina, Nabil Abu Rudaineh. O presidente da AP,
Mahmud Abbas, pertencente ao Fatah, dissolveu o governo de unidade nacional
com o Hamas na quinta-feira, depois que o movimento fundamentalista, vencedor
das eleições de janeiro do ano passado, lançou uma
ofensiva militar contra a facção secular na Faixa de Gaza.
Abbas formou um gabinete de emergência, sem o Hamas, e declarou
seus grupos armados ilegais. Na prática, há um governo apoiado
pelo Fatah (embora seus ministros sejam independentes) na Cisjordânia
e outro do Hamas em Gaza. Os Estados Unidos
prometem retomar a ajuda financeira internacional à AP, depois
da exclusão do Hamas do governo. Israel também aceita repassar
ao governo palestino US$ 562 milhões em receita de impostos retida,
desde que nenhuma parte desses recursos seja enviada para a Faixa de Gaza.
Ontem em Gaza corria a informação de que seriam interrompidas as transferências de dinheiro enviado de fora por pessoas físicas. A notícia estarreceu moradores da cidade. A remessa de dinheiro por parentes que moram no exterior é praticamente a única fonte de renda do território, onde vive 1,4 milhão de pessoas. Desde a segunda intifada,
iniciada em 2000, Israel tem impedido a saída de palestinos para
trabalhar em seu território. E desde a eleição do
Hamas, em janeiro de 2006, os funcionários públicos, que
representam um terço dos empregados, recebem apenas metade de seus
salários, e de forma irregular, por causa do bloqueio da receita
dos impostos e da ajuda internacional. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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