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Abbas
rejeita diálogo com 'terroristas' |
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LOURIVAL SANTANNA |
Quinta-feira,
21 de junho de 2007
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GAZA O presidente da Autoridade
Palestina, Mahmud Abbas, queimou ontem as últimas pontes para uma
solução negociada do conflito com o Hamas. Num pronunciamento
transmitido ao vivo por emissoras de TV palestinas, Abbas, dirigente da
fação secular Fatah, tratou o Hamas com adjetivos que Israel
costuma usar: "Não há diálogo com esses terroristas
assassinos", disse o presidente, depois de uma reunião do
Conselho Central da Organização de Libertação
da Palestina, liderado pelo Fatah. "Essa é
uma luta entre o projeto nacional e esse pequeno reino que eles querem
estabelecer em Gaza, entre os que estão usando o assassinato para
atingir suas metas e os que recorrem à lei", afirmou Abbas,
aplaudido pelos membros do Conselho. "Tentei evitar o conflito por
meio do diálogo contínuo", defendeu-se ele. "Em
vez disso, vimos assassinatos de chefes das forças de segurança
palestinas e do Fatah em Gaza." O presidente acusou
o Hamas de ter tentado matá-lo há um mês, quando ele
pretendia ir a Gaza. Segundo Abbas, militantes usando camisetas com o
símbolo do Hamas foram filmados cavando um túnel sob a estrada
por onde seu carro passaria, no qual pretendiam colocar 250 quilos de
explosivos. "Mandei essas fitas para todos os países árabes,
para mostrar de que formas obscuras esse movimento está atuando",
disse Abbas. Na reunião
de dois dias, o Conselho Central da OLP discute a possibilidade de antecipar
as eleições palestinas. Em janeiro do ano passado, o Hamas
obteve maioria absoluta no Parlamento. Formou governo, mas teve a ajuda
financeira internacional e o repasse da receita de impostos por Israel
cortados, por causa de sua recusa em reconhecer o Estado judaico. Em março,
o Hamas formou com o Fatah um governo de unidade nacional, mas mesmo assim
o dinheiro continuou bloqueado. Agora, com a destituição
do primeiro-ministro Ismail Haniyeh, do Hamas, e a formação
do gabinete de emergência sem representantes do grupo islâmico,
os EUA e Israel prometem retomar a ajuda e os repasses, respectivamente.
Em Gaza, o porta-voz
do Hamas, Sami Abu Zuhri, rejeitou veementemente as acusações
de Abbas. "O que ele disse foi deprimente e impróprio para
o presidente palestino", censurou Abu Zuhri. "O presidente feriu
a si mesmo com suas palavras." Por volta de 20 horas em Gaza (14
horas em Brasília), pouco depois do pronunciamento, partidários
do Hamas foram às ruas manifestar apoio ao grupo. O isolamento político
do Hamas se aprofundou ontem quando a deputada Khalida Jarrar, da Frente
Popular de Libertação da Palestina (FPLP), exigiu que o
movimento islâmico "peça desculpas pela matança"
ocorrida durante a tomada da Faixa de Gaza e devolva o poder à
Autoridade Palestina. A posição da FPLP - cujo líder,
o deputado Ahmad Saadat, está numa prisão israelense - é
significativa porque a facção costuma opor-se ao Fatah. Na prática,
há dois governos palestinos - o do Hamas na Faixa de Gaza e o do
Fatah (com um gabinete de ministros independentes) na Cisjordânia.
A divisão política confirma a separação física
dos dois territórios, que têm Israel no meio. "Vai levar
uma geração para os palestinos superarem a divisão
ocorrida na semana passada", disse ao Estado uma influente
jornalista palestina, depois de ouvir o discurso de Abbas. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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