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Olmert
e Abbas marcam encontro |
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LOURIVAL SANTANNA |
Sexta-feira,
22 de junho de 2007
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GAZA O primeiro-ministro
de Israel, Ehud Olmert, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas,
o presidente do Egito, Hosni Mubarak, e o rei Abdullah II da Jordânia
se reunirão na segunda-feira no balneário egípcio
de Sharm el-Sheik. No dia seguinte, Mubarak receberá o rei Abdullah
da Arábia Saudita. Eles vão discutir formas de retomar o
processo de paz no Oriente Médio e de apoiar o presidente palestino
no seu confronto com o grupo fundamentalista Hamas, que tomou na semana
passada a Faixa de Gaza das forças de segurança controladas
pelo Fatah, facção secular dirigida por Abbas. O negociador-chefe
palestino, Saeb Erekat, disse que Abbas pedirá o reinício
do diálogo com Israel, interrompido depois que o Hamas obteve maioria
absoluta nas eleições parlamentares de janeiro do ano passado.
"O tempo é a essência", disse Erekat. "Temos
de entregar (aos palestinos) o fim da ocupação, um Estado
palestino. Se não tivermos esperança, o Hamas exportará
o desespero para o povo." Abbas formou na semana passada um governo
de emergência, com um gabinete independente, que na prática
governa apenas na Cisjordânia, enquanto o Hamas exerce controle
total sobre a Faixa de Gaza. Erekat citou a necessidade
de tomar medidas imediatas para aliviar o sofrimento dos palestinos, como
levantar os bloqueios militares israelenses na Cisjordânia e repassar
cerca de US$ 600 milhões em receita de impostos bloqueada por Israel
há um ano e meio, desde que o Hamas chegou ao poder. Com o bloqueio,
os funcionários públicos palestinos - um terço dos
empregados na Faixa de Gaza - têm recebido apenas metade de seus
salários, quando recebem. Olmert poderá
anunciar o desbloqueio durante a cúpula. O primeiro contato de
alto nível entre a Autoridade Palestina e Israel depois da crise
ocorreu na quarta-feira. A chanceler israelense, Tzipi Livni, conversou
pelo telefone com o novo primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, que
acumula o cargo de ministro das Relações Exteriores. Segundo analistas,
os governantes árabes temem que o êxito do Hamas em Gaza
sirva de incentivo para os grupos fundamentalistas que lhes fazem oposição
em todos esses países. O caso egípcio é mais crítico.
Ex-território egípcio, a Faixa de Gaza faz fronteira com
o país, e o Hamas, fundado em 1987, inspirou-se na Irmandade Muçulmana,
o mais tradicional grupo fundamentalista do Oriente Médio, baseado
no Egito. "O Hamas é uma filial da Irmandade Muçulmana
na Faixa de Gaza", disse ao Estado uma bem-informada jornalista palestina.
"Mubarak está desesperado por tê-los em Gaza, literalmente
na porta do Egito." Para o ministro da
Habitação israelense, Meir Sheetrit, que é também
membro da Comissão de Defesa e Relações Exteriores
do Parlamento, Israel deve pedir ao Egito que acabe com o contrabando
de armas para Gaza. "Eles podem fazer isso, se quiserem", disse
ele. Segundo a pesquisa,
feita com 1.270 palestinos, Abbas obteria 49% dos votos e o primeiro-ministro
por ele destituído, Ismail Haniyeh, líder do Hamas, 45%.
Se Marwan Barghouti, popular líder da nova geração
do Fatah, pudesse participar, venceria Haniyeh por 59% a 35%. Barghouti
foi condenado por Israel a cinco prisões perpétuas, por
envolvimento em ataques terroristas. Numa
comprovação do pessimismo expresso nas ruas, 70% dos entrevistados
disseram que as chances de criação de um Estado palestino
nos próximos cinco anos são remotas. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |