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Palestinos
passam a ter 2 premiês |
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LOURIVAL SANTANNA |
Sábado,
16 de junho de 2007
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RAMALLAH A facção
moderada Fatah e o grupo fundamentalista Hamas deram mais um passo ontem
rumo à divisão política dos territórios palestinos.
A Faixa de Gaza e a Cisjordânia têm agora, na prática,
cada uma seu primeiro-ministro. O presidente da Autoridade Palestina (AP),
Mahmud Abbas, da Fatah, nomeou chefe de governo o seu ministro das Finanças,
Salam Fayyad, depois de ter destituído, na véspera, o líder
do Hamas, Ismail Haniyeh. O Hamas não reconheceu a destituição,
que pôs fim a um "governo de união nacional" formado
há apenas três meses. Abbas também decretou na quinta-feira
estado de emergência e disse que seriam convocadas novas eleições
parlamentares. A nomeação
de Fayyad, bem-visto no Ocidente como um tecnocrata, foi anunciada depois
de uma reunião de Abbas com dirigentes da Fatah e da Organização
de Libertação da Palestina, da qual é a facção
dominante, em Ramallah, a capital palestina na Cisjordânia. A outra
sede da presidência da AP, em Gaza, foi tomada ontem pelo Hamas,
que com isso assumiu controle total sobre a Faixa de Gaza, separada da
Cisjordânia por 45 quilômetros de território israelense. Ismail Ridwan, porta-voz
do Hamas, disse em Gaza que a nomeação do primeiro-ministro
era mais um "passo ilegal e precipitado", dado para satisfazer
Israel e os Estados Unidos. "É um golpe político, e
tem graves conseqüências", acrescentou o porta-voz, citado
pelas agências internacionais. Americanos, europeus e israelenses
não escondem sua preferência pela Fatah. "Vamos manter
essa estratégia de diálogo com os moderados e enviar alguma
esperança àqueles que apóiam nossa visão",
disse a ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi
Livni, sem detalhar como essa "esperança" se materializaria.
Os analistas acreditam que uma Cisjordânia governada exclusivamente
pela Fatah - em oposição a uma Faixa de Gaza dominada pelo
Hamas - seria alvo de intensa ajuda financeira do Ocidente. Enquanto isso,
a Faixa de Gaza, onde vive 1,4 milhão dos 4 milhões de palestinos
dos territórios, mergulharia no isolamento e no desemprego. O Hamas, apoiado pelo
Irã e a Síria, venceu as eleições parlamentares
de janeiro do ano passado. Por causa da sua recusa em reconhecer o Estado
de Israel, os Estados Unidos e a União Européia cortaram
a ajuda financeira à Autoridade Palestina. O governo israelense
parou de repassar os impostos arrecadados de palestinos e sobre o comércio
com os territórios. A retenção soma US$ 562 milhões.
Para tentar romper o isolamento, e evitar confrontos entre as duas facções,
o Hamas concordou com a formação da coalizão com
a Fatah, que manteve, no entanto, o controle sobre as forças de
segurança, apesar de o Ministério do Interior ter ficado
com o grupo fundamentalista. Ajuda americana em dinheiro e treinamento
para essas forças da Fatah precipitaram a ofensiva do Hamas, que
deixou mais de 100 palestinos mortos desde domingo na Faixa de Gaza. Haniyeh garante que
o Hamas ainda está comprometido com os acordos com a Fatah. "Ordeno
que nosso povo demonstre calma e contenção", disse
o líder do Hamas, depois de mandar soltar alguns líderes
do Fatah. O gesto contrasta drasticamente com as atrocidades cometidas
nos últimos dias, quando membros das forças de segurança
foram arrancados de seus quartéis e mortos ou obrigados a desfilar
de cueca nas ruas (ver ao lado). O Hamas acusa a Fatah de colaboracionismo
com Israel, o que nos territórios palestinos tradicionalmente se
pune com a morte. O repentino fim do
domínio da Fatah sobre a Faixa de Gaza, que durava décadas,
pôs em xeque a capacidade de liderança de Abbas, sucessor
do líder palestino Yasser Arafat, morto em 2004. Comandantes da
facção se queixaram de terem ficado vários dias sem
uma ordem sobre como proceder diante dos ataques do Hamas, iniciados no
domingo. Só na noite de quinta-feira foi que Abbas, pressionado
por outros dirigentes da facção, ordenou que seus homens
reagissem. Mas já era tarde demais. Os comandantes militares da
Fatah que não foram mortos fugiram de barco pela costa mediterrânea
ou pelo posto de fronteira de Rafah, com o Egito, embora ele estivesse,
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