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Itália
terá guinada na política externa |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
20 de abril de 2008
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ROMA As relações
com o Brasil esfriam (leia em Aproximação
com Brasil pode perder fôlego); com a Rússia, esquentam.
Na Europa, pode-se formar um triângulo com os governos de centro-direita
da Alemanha e da França. Mas também pode haver uma "união
mediterrânea" franco-italiana, como contrapeso ao gigante alemão.
Os EUA voltam a ser vistos como "modelo" para a Itália.
Israel recupera o aliado de todas as horas no Palazzo Chigi. Assim podem
ser resumidas as implicações, para a política externa
italiana, da eleição de Silvio Berlusconi. Do ponto de vista
ideológico, Berlusconi é conhecido por seu "atlantismo",
ou seja, a prioridade que reserva às relações com
os EUA. Em seu governo anterior (2001-2006), o Cavaliere demonstrou nítido
orgulho por sua amizade com o presidente George W. Bush. Pressionado pela
opinião pública católica, Berlusconi não participou
da invasão do Iraque, mas enviou tropas na etapa posterior, de
ocupação, diante da insistência de Bush, recorda Lucio
Caracciolo, editor da revista de geopolítica Limes. Pagou um preço
por isso na eleição de 2006, que perdeu para Romano Prodi,
de centro-esquerda. Em todo caso, "as relações com
os EUA dependerão de quem assumirá a Casa Branca depois
das eleições de novembro", pondera Paolo Magri, diretor
do Instituto de Estudos de Política Internacional, com sede em
Milão. Tampouco se sabe como
o primeiro-ministro eleito na segunda-feira conciliará o atlantismo
com sua estreita amizade com o homem forte da Rússia, Vladimir
Putin - o primeiro governante a visitar Berlusconi depois de eleito, na
quinta e sexta-feira. A Rússia vive às turras com os EUA
- e, de resto, com a União Européia. O problema não
se colocava no governo anterior de Berlusconi, assinala Magri, porque
as relações entre Putin e Bush, no começo, eram bem
melhores que hoje. O mais cotado para
assumir o Ministério das Relações Exteriores é
Franco Frattini, atual vice-presidente da Comissão Européia
e chanceler no governo anterior de Berlusconi. As relações
"mornas" do governo anterior de Berlusconi com seus parceiros
europeus, como Magri as qualifica, não devem se repetir. É
preciso lembrar, diz ele, que a Alemanha e a Grã-Bretanha eram
governadas pela centro-esquerda, com Gerhard Schroeder e Tony Blair, respectivamente.
Hoje, apenas a Grã-Bretanha continua sob a centro-esquerda, com
Gordon Brown. Quanto à França,
Berlusconi gosta de sublinhar sua afinidade com Nicolas Sarkozy, reivindicando
para si um papel de "modelo" do presidente francês, 18
anos mais jovem: "Ele é um moderado, um conservador, mas também
um revolucionário, no sentido de que, como eu, quer mudar a velha
política." Até mesmo sua resistência, durante
a campanha, à compra da Alitalia pela Air France-KLM parece ter-se
dissipado: nos últimos dias, Berlusconi admitiu que a saída
para a insolvência da estatal italiana possa passar por uma parceria
com a companhia francesa. Com a chanceler alemã,
Angela Merkel, Berlusconi e Sarkozy poderiam formar um "triângulo",
estima Magri. Esse quadro deve ser matizado pela recente aproximação
de Sarkozy com Brown, observa Antonio Varsori, professor de História
das Relações Internacionais na Universidade de Pádua
e atualmente pesquisador na Science Po, em Paris. "Parece que Sarkozy
quer evitar o vínculo tradicionalmente forte entre a França
e a Alemanha", diz Varsori. "As relações entre
os dois países sempre serão importantes, mas Sarkozy tenta
reequilibrá-las, diante do peso ganho pela Alemanha com a reunificação.
É como se quisesse mostrar que a França tem condições
de realinhar forças na Europa." Nesse contexto, poderia surgir
a "união mediterrânea" com a Itália. Sarkozy e Berlusconi
têm uma causa em comum: o desejo de influir politicamente no poderoso
Banco Central Europeu, em favor da desvalorização do euro
e da redução dos juros. Seu aliado da Liga do Norte, Umberto
Bossi, pressiona nesse sentido, em defesa da competitividade dessa região
industrializada da Itália. Mas essa idéia só será
levada a sério se outros países europeus importantes aderirem
a ela, avalia Varsori, que não vê sinais disso. Na Itália,
como noutras partes, observa-se a simpatia da esquerda pela causa palestina
e da direita por Israel. Gianfranco Fini, parceiro de Berlusconi na aliança
de centro-direita e vice-premiê em seu governo anterior, escolheu
o Parlamento israelense, em 2003, para denunciar o fascismo, ao qual estivera
associado. Agora, Berlusconi escolhe Israel para sua primeira viagem como
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