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PD
vê avanço de Berlusconi no exterior com suspeita |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quinta-feira,
17 de abril de 2008
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ROMA A aliança de
centro-esquerda Partido Democrático (PD), derrotada nas eleições
gerais italianas de domingo e de segunda-feira, sugeriu ontem que pode
haver uma relação entre o grande aumento nos votos obtidos
na América do Sul pelo seu adversário de centro-direita,
O Povo da Liberdade (PDL), e os indícios de fraude na votação
na Argentina e na Venezuela. Isso apesar de o PD, do ex-prefeito de Roma
Walter Veltroni, ter saído vitorioso no exterior, elegendo sete
deputados e três senadores. Maurizio Chiocchetti,
responsável do PD pelos italianos no exterior, fez uma comparação
entre os votos obtidos pelo PDL para o Senado nessas eleições
e nas anteriores, realizadas em abril de 2006. Em números arredondados,
observou ele, o PDL perdeu 3 mil votos na América do Norte e 5
mil na Oceania e ganhou 4 mil na Europa. Já na América do
Sul, elegeu senador Juan Esteban Caselli com 48 mil votos, o dobro do
que sua aliança tivera para o Senado na região em 2006. "Não estamos
fazendo nenhuma ilação", esquivou-se Chiocchetti, em
entrevista coletiva na sede do PD. "Mas lemos nos jornais que a Magistratura
(que tem funções investigativas na Itália) está
investigando indícios de irregularidades na Argentina e na Venezuela,
e ao mesmo tempo olhamos para essa subida impressionante nos votos do
PDL nesses dois países", completou Eugenio Marino, integrante
da Coordenação Nacional do PD. Marino disse ao Estado que
milhares de cédulas vindas desses países foram preenchidas
com a mesma caligrafia e tinham uma coloração um pouco diferente
das outras. O PDL obteve na Venezuela
14.963 votos, ou 72,68%, para o Senado. Na Argentina, a aliança
por ele liderada também foi a mais bem votada, com 59.859 votos,
ou 28,97%. Já no Brasil, os resultados foram mais equilibrados.
O PD foi o mais votado para o Senado, com 16.062 votos, ou 24,39%. A Associação
Italianos da América do Sul veio em segundo lugar, com 16.008 (24,31%);
seguida pelo PDL, com 14.964 (22,73%), e pelo Movimento Associativo Italianos
no Exterior, com 14.167 (21,52%). Outros cinco partidos concorreram, e
o total de votos foi de 65.842 no Brasil. Para a Câmara, o PD obteve
19.643 votos no Brasil (27,42%); a Associação, 18.357 (25,62%);
o PDL, 14.277 (19,93%); e o Movimento, 13.829 (19,30%). Votaram 71.631
cidadãos italianos para a Câmara no Brasil. Há uma semana,
Luciano Vecchi, diretor de Relações Internacionais do Partido
Democrático da Esquerda (PDS), que encabeça a aliança
do PD, havia afirmado ao Estado que, no Brasil, "o PT e o
PPS mobilizaram uma grandíssima campanha a favor do voto no PD",
e que os resultados se veriam na contagem dos votos. Marco Zacchera, responsável
do PDL pelos italianos no exterior, não quis comentar as afirmações
do PD. "Não me manifesto sobre esse tema", disse ele
ao Estado. "Não sei nada sobre isso. Quem deve se pronunciar
sobre a suposta fraude é a Magistratura." Na quinta-feira, o
ministro do Interior da Itália, Giuliano Amato (do PD), informou
que estavam sendo investigados indícios de que um grupo mafioso
da Calábria, no sul da Itália, teria fraudado votos no exterior.
Amato não deu mais detalhes, alegando que as investigações
corriam em sigilo. A agência de notícias Ansa informou que
se tratava de 50 mil cédulas eleitorais vindas da América
Latina, alteradas em favor de um candidato siciliano, cujo nome não
foi revelado. O Ministério
do Interior informou que não tem mais nada a acrescentar além
do que disse Amato, e que as investigações estão
a cargo da Magistratura. Por sua vez, a Magistratura informou que as investigações
estão num estágio "antes do preliminar". O ex-primeiro-ministro Romano Prodi, que renunciou em janeiro depois de perder a maioria de uma cadeira no Senado, deixou ontem a presidência do PD. A impopularidade de seu governo, que aprovou uma lei de combate à sonegação assimilada como aumento de impostos, contribuiu para a vitória de Berlusconi sobre Veltroni, por 47,3% a 38,0% no Senado e 46,8% a 37,5% na Câmara. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |