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Berlusconi
adotará medidas impopulares |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quinta-feira,
17 de abril de 2008
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ROMA O primeiro-ministro
eleito da Itália, Silvio Berlusconi, advertiu ontem que terá
de adotar "medidas impopulares" para recuperar a Itália
do seu pesado endividamento, alto custo de vida e forte estagnação
econômica. "Haverá momentos difíceis", disse
Berlusconi, ao sair de reunião com seus aliados, vitoriosos nas
eleições de domingo e de segunda-feira. "Será
necessária uma forte renovação para fazer as reformas
necessárias, que terão até conteúdos de impopularidade,
começando pelos privilégios dos gastos públicos." A economia italiana
foi a que menos cresceu na Europa no ano passado: 1,5%. O déficit
público vem baixando - foi de 2,2% no ano passado -, mas a dívida
ainda é muito alta: 104,8% do PIB, assim como a inflação
de 3,3%, que esconde um aumento muito mais acelerado dos preços
dos alimentos e matérias-primas. Na saída da
reunião com o líder da Liga do Norte, Umberto Bossi, cuja
votação, de 9%, foi a equivalente à vantagem da aliança
de centro-direita sobre a de centro-esquerda, Berlusconi garantiu que
não haverá favorecimento da região que ele representa
em detrimento das outras. "Com Umberto Bossi, haverá identidade
de visões sobre todas as providências administrativas",
disse ele. "Não haverá nenhuma região a ser
punida, mas um federalismo solidário." Berlusconi não
descartou convidar um representante da aliança adversária
de centro-esquerda para participar do seu governo, como fez o presidente
francês, Nicolas Sarkozy, ao indicar o socialista Bernard Kouchner
para o Ministério das Relações Exteriores. Ele lembrou
que, em 2002, quando era primeiro-ministro, indicou Giuliano Amato, atual
ministro do Interior no governo de centro-esquerda, para ocupar a vice-presidência
da Conferência Européia, encarregada da nova arquitetura
institucional da União Européia (UE). Berlusconi voltou
a declarar que a UE precisa ganhar mais peso no cenário mundial.
Classificado de "atlantista", pela prioridade conferida às
relações com os Estados Unidos no seu governo anterior (2001-2006),
Berlusconi já havia dito, na entrevista coletiva de terça-feira,
que a Europa devia se tornar "mais presente no mundo". Ele voltou
a propor também a ampliação das funções
do Banco Central Europeu, para além do controle da inflação.
Assim como Sarkozy, Berlusconi acha que o BCE deveria conter a valorização
do euro frente ao dólar, que dificulta as exportações.
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