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Berlusconi
vence eleição que reduz Parlamento italiano a 5 partidos |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Terça-feira,
15 de abril de 2008
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ROMA O bilionário
Silvio Berlusconi, de 71 anos, duas vezes primeiro-ministro, obteve ontem
um claro mandato para voltar a governar a Itália, imersa na estagnação
econômica e na instabilidade política. A aliança de
centro-direita O Povo da Liberdade (PDL) obteve 47,3% dos votos no Senado,
enquanto a frente de centro-esquerda Partido Democrático (PD),
liderada pelo ex-prefeito de Roma Walter Veltroni, recebeu 38%. Já
na Câmara dos Deputados, o PDL venceu o PD por 46,7% a 37,5%. O
comparecimento, de 80%, ficou dentro do alto patamar histórico
da Itália. Segundo projeções,
o PDL conquistou 167 das 315 cadeiras no Senado. Já o PD ficou
com 137 senadores. Na reta final da campanha, Berlusconi havia dito que
precisava de uma maioria de 20 cadeiras no Senado para governar. O ex-primeiro-ministro
Romano Prodi, do PD, renunciou em janeiro, depois de perder sua maioria
de uma cadeira no Senado, por causa da retirada do apoio de três
senadores de um dos nove partidos que formavam sua coalizão. O resultado selou
a polarização entre centro-direita e centro-esquerda. Os
39 partidos representados no Parlamento serão reduzidos a 5. Os
maiores perdedores foram dois grupos que abandonaram as duas grandes alianças.
A Esquerda Arco-Íris, que reúne comunistas e verdes, teve
3,0% dos votos para a Câmara. Em 2006, quando ambos eram aliados
da centro-direita, somaram 7,9%. Os comunistas tinham 41 deputados e os
verdes, 15. Agora, não serão mais representados no Parlamento,
por não terem atingido a cláusula de barreira de 4%. "É
a americanização do sistema político italiano",
protestou o líder comunista Fausto Bertinotti, referindo-se ao
bipartidarismo. A União de
Centro, antes aliada à centro-direita, também viu seus votos
reduzidos, na Câmara, de 6,7%, em 2006, para 5,6%. O deslocamento
da centro-esquerda para o centro, a sua polarização com
a centro-direita, a disputa renhida e o voto útil prejudicaram
aqueles dois grupos. "Estou comovido,
sinto uma grande responsabilidade", disse Berlusconi, dono de um
império de comunicação, à rede pública
de TV RAI, pelo telefone. "Trabalharei com grande empenho nos próximos
cinco anos, que serão decisivos para o desenvolvimento de nosso
país." Seguindo seu estilo pouco convencional, Berlusconi
não fez um discurso de vitória. Preferiu reunir seus auxiliares
num jantar em sua villa em Milão. "Será
difícil governar a Itália, com tantos problemas, mas governaremos
cinco anos", assegurou Gianfranco Fino, líder da "pós-fascista"
Aliança Nacional, parceira do partido Força Itália,
de Berlusconi, no PDL. Vice de Berlusconi no governo de 2001 a 2006, ele
deve assumir a presidência da Câmara. Depois de dois dias
de votação, as urnas foram fechadas às 15 horas (10
horas em Brasília). Às 20h, Veltroni reconheceu a derrota
e telefonou a Berlusconi, para lhe desejar "auguri" (sorte).
Sua candidatura foi prejudicada pela impopularidade de Prodi, que, pouco
depois de assumir, em 2006, aprovou uma lei de combate à sonegação
tributária, identificada pela população como aumento
de impostos; e pela crise na coleta de lixo de Nápoles, uma das
cidades mais importantes da Itália, administrada pelo PD. A centro-esquerda
teve vitória muito apertada no confronto anterior, em abril de
2006. Obteve, para a Câmara, 19 milhões de votos, ou 49,80%.
Garantiu 340 deputados graças a um "prêmio de maioria"
previsto na lei. A centro-direita recebeu 18,98 milhões de votos,
ou 49,74%, ficando com 277 cadeiras. Veltroni declarou
que seu grupo exercerá uma "oposição responsável"
e se dedicará, no Parlamento, às reformas institucional
e eleitoral. "É um resultado importante, considerando que
tínhamos 22 pontos de distância em setembro, e que progressivamente
foi reduzida, naquilo que continuo a definir como a grande ascensão
da maior força reformista que este país já teve",
disse Veltroni, 52 anos. Prefeito de Roma desde
2001, reeleito em 2006, ele concluiu o "aggiornamento" (atualização)
de seu grupo, criando o PD e livrando-se da esquerda radical, que também
contribuiu para a impopularidade do governo. Como ministro do Meio Ambiente,
o líder dos verdes, Alfonso Pecoraro Scanio, foi acusado pelos
empresários de travar as licenças para os projetos de infra-estrutura
no país. Já o ex-sindicalista Bertinotti, presidente da
Câmara dos Deputados, resistiu à flexibilização
da lei trabalhista. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |