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Resultados
apontam tendência ao bipartidarismo |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Terça-feira,
15 de abril de 2008
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ROMA Os resultados das
eleições de ontem indicam uma tendência ao bipartidarismo
na Itália - embora, a rigor, não se trate de dois partidos,
mas de duas alianças, uma de centro-direita e outra de centro-esquerda.
No interior das duas alianças, dois outros dados relevantes. A
Liga do Norte, o movimento separatista liderado pelo controvertido Umberto
Bossi, duplicou seus votos de 2006, e terá um papel proeminente
no governo de Silvio Berlusconi. O mesmo ocorre na aliança de centro-esquerda
com o partido Itália dos Valores, do ex-juiz antimáfia Antonio
Di Pietro. "Essas eleições
semi-reformaram o sistema político", analisa Claudio Tito,
colunista político do jornal La Repubblica, referindo-se à
ingovernabilidade crônica da Itália. "Desenhou-se um
bipartidarismo", constata Vittorio Feltri, diretor do jornal Libero.
"Provavelmente, os eleitores entenderam que ou se vota daqui ou dali."
Berlusconi foi o único a cumprir um mandato completo de cinco anos
nas últimas décadas, entre 2001 e 2006. A Liga do Norte e
seu aliado Movimento pela Autonomia passaram de 26 cadeiras na Câmara
para entre 64 e 72, segundo projeções do Ipsos; e de 13
senadores para 23 a 41 (dependendo de se o MPA terá bancada ou
não). De 4,6% dos votos na Câmara em 2006, os dois grupos
dobraram para 9,2%. Os especialistas observam
que, para obter uma votação expressiva em termos nacionais,
a Liga do Norte precisa concentrar um forte apoio em seus redutos regionais
- o que sugere um forte apelo do separatismo (ou "federalismo",
conforme a Liga) no Norte da Itália. Poucos dias antes das eleições,
Bossi, inflamado por uma complexa cédula eleitoral que supostamente
prejudicava seu grupo, exortou seus seguidores a "pegar em fuzis
contra a canalha centralista romana". A imprensa perguntou
então a Berlusconi se Bossi seria ministro em seu governo, e o
líder da centro-direita saiu pela tangente: "Ele está
doente." Convalescente de uma forte gripe, Bossi, que foi ministro
da Reforma Institucional de Berlusconi entre 2001 e 2004, assegurou ontem
que a relação entre ambos vai "muito bem". À
pergunta sobre o que pensava do fortalecimento do bipartidarismo, Bossi,
cujo grupo promove rituais de "juramento de fidelidade" ao estilo
medieval, respondeu: "Mas é a Liga que dá o seu sangue,
que tem a vontade de mudar o país. A Liga deu a Berlusconi muitos
votos populares." A Itália dos
Valores também duplicou sua votação para a Câmara,
de 2,30%, em 2006, para 4,5%. Antes com 16 deputados, deve ficar agora
com 26 a 30, segundo as projeções do Ipsos. No Senado, a
bancada do partido do ex-juiz teve um aumento ainda mais expressivo, passando
de 4 para 12 a 16 cadeiras. Di Pietro ganhou fama
ao participar do grupo de magistrados da operação Mãos
Limpas (os juízes podem ter função investigativa
na Itália). Disputou sua primeira eleição em 1996,
quando se elegeu senador pela Toscana, no partido A Oliveira, precursor
do Partido Democrático, de centro-esquerda. No governo do ex-primeiro-ministro
Romano Prodi, do PD, ocupava o Ministério da Infra-Estrutura. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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