|
Berlusconi
e Veltroni travam batalha por votos e valores na Itália |
|
| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
13 de abril de 2008
|
|
ROMA O líder da
centro-direita, Silvio Berlusconi, e o da centro-esquerda, Walter Veltroni,
travam hoje e amanhã, nas eleições gerais da Itália,
uma batalha que vai além de propostas de governo. Os italianos
estão preocupados com sua situação econômica,
mas Berlusconi e Veltroni diferem muito pouco nesse campo. Ambos prometem
menos impostos e mais gastos, uma equação que todos sabem
que não fecha. O que está em jogo, aqui, é algo mais
essencial: que tipo de país e que tipo de cidadãos a Itália
e os italianos devem ser. No terreno subjetivo da identidade e dos valores,
Berlusconi e Veltroni são a antítese um do outro. Berlusconi, 71 anos,
um self-made man dono da segunda fortuna da Itália (US$ 9,4 bilhões),
personifica a malícia, a irreverência, o individualismo,
a disposição de vencer praticamente a qualquer custo, o
ceticismo em relação às instituições
e, diriam os críticos, às leis. Embora tenha sido primeiro-ministro
em dois períodos (1994 e 2001 a 2006), é o antipolítico,
talvez a combinação improvável de Paulo Maluf e Silvio
Santos. Veltroni, de 52 anos,
intelectual, jornalista e filho de jornalista, ex-membro do Partido Comunista,
prefeito de Roma desde 2001, defende o fortalecimento do Estado e das
instituições, o bem comum sobre o proveito individual e
a "justiça social". De acordo com Renato
Mannheimer, diretor do Instituto de Estudos da Opinião Pública,
o eleitor típico de Berlusconi é "trabalhador autônomo,
com grau de instrução médio ou médio-baixo,
não muito jovem e residente mais ao Norte que ao Sul". Já
o de Veltroni "é, em grande parte, trabalhador com carteira
assinada, tem grau de instrução muito mais elevado e reside
mais ao Centro". Numa consolidação
dos resultados das diferentes pesquisas, feita pelo especialista Chris
Hanretty, da Universidade Européia de Florença, a frente
de centro-direita O Povo da Liberdade, de Berlusconi, aparece com 44,7%
das intenções de voto; e a aliança de centro-esquerda
Partido Democrático (PD), de Veltroni, com 37,4%. Depois, com 6,9%,
vem a Esquerda Arco-Íris, que inclui comunistas e verdes, e antes
era aliada da centro-esquerda. A candidatura de Veltroni
é prejudicada por dois problemas herdados. A chamada Lei Financeira,
aprovada em 2006 pelo ex-primeiro-ministro Romano Prodi, do mesmo partido
de Veltroni, destinava-se a combater a evasão fiscal, calculada
em 20%, mas foi identificada com aumento de impostos, e tornou-se profundamente
popular. Prodi renunciou em janeiro, depois de perder uma exígua
maioria no Senado. O outro problema é a crise da coleta de lixo
em Nápoles, uma das cidades mais importantes da Itália,
administrada também pela aliança de centro-esquerda. Seja quem for o vencedor,
no entanto, uma coisa é praticamente certa: seu governo não
durará muito. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |